O imóvel de 72 anos localizado na Rua Santa Catarina, que abriga a tradicional máquina de arroz do comerciante Cláudio Rodrigues Sales, é a principal propaganda do negócio. ''A madeira acaba atraindo as pessoas por curiosidade. Tem gente que entra aqui porque nunca viu'', disse.
Adepto do material, ele reformou a máquina há seis anos, revestindo com madeira mais forte e verniz. A casa, segundo ele, pertence ao mesmo proprietário de sete décadas atrás.
Em tempos de arroz e feijão empacotados na prateleira do supermercado, a própria máquina chama a atenção dos transeuntes da Área Central. A clientela mais fiel, entretanto, é composta por famílias que moravam no sítio e vieram para a zona urbana depois da geada de 1975, quando a cafeicultura da região foi dizimada. ''São pessoas que gostam do arroz velho e preferem comprar a granel.''
A diretora de patrimônio da Secretaria Municipal de Cultura, Vanda de Moraes, explicou que Londrina surgiu numa mata e, por isso, os primeiros imóveis da cidade foram construídos exclusivamente em madeira, que era o material mais abundante. ''Esse processo foi até a década de 50, quando as pessoas passaram a trocar madeira por alvenaria.''
Nessa época, inclusive, um decreto proibiu as construções em madeira no Centro da cidade. ''Londrina crescia e julgou-se que a alvenaria imprimia maior noção de progesso'', avaliou. Vanda acredita que, apesar das muitas casas demolidas, a madeira continua sendo um traço cultural importante de Londrina. ''As pessoas têm afetividade e acabam levando para suas casas, seja em móveis de demolição ou até mesmo detalhes arquitetônicos, como janelas.''(C.A.)

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