Imóvel de clínica odontológica em situação precária
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sábado, 19 de dezembro de 2015
Aline Machado Parodi <br> Reportagem Local 
O Centro de Saúde Especial Bárbara Daher, o Getexcel, encerrou as atividades deste ano sem a perspectiva do início da reforma do prédio onde funciona a clínica odontológica. O imóvel apresenta rachaduras, infiltrações e algumas partes do telhado estão caindo. Em junho, após uma temporada de chuvas, surgiram fendas nas paredes e a estrutura do prédio ficou comprometida.
A clínica chegou a ser transferida para a Unidade de Saúde Básica do Jardim Campos Verdes (zona norte), mas após dois meses no local, a direção do Getexcel decidiu voltar para o prédio. "O espaço era pequeno, o atendimento sera só em meio período e ficou muito distante para alguns pacientes que precisavam pegar até dois ônibus para ir à clínica", contou Martha Beatriz Issa, presidente da entidade.
A ala do centro cirúrgico, salas de recuperação, salas de estudos e banheiros estão interditados. Em algumas paredes, as rachaduras são da espessura de um dedo e é possível enxergar o lado de fora do prédio. "A cada dia vai caindo um pedaço do prédio", disse Martha.
O prédio construído em 1993 nunca passou por uma reforma geral. O imóvel pertence ao município, que o cedeu à entidade filantrópica, que atende gratuitamente pacientes com deficiência de 130 municípios. São seis dentistas voluntários trabalhando na clínica.
De acordo com a tesoureira do Getexcel, Nádia Regina de Mello, foram feitas algumas melhorias como a troca do piso, doado por uma loja de material de construção, mas a reforma geral seria de competência da prefeitura por se tratar de um prédio público.
As rachaduras começaram a aparecer em 2012 e desde então a entidade vem solicitando que a administração municipal tome providências. "Com as fortes chuvas de junho, a estrutura cedeu e de lá para cá, a situação só tem piorado", afirmou a presidente.
Com as salas interditadas, apenas um consultório odontológico está funcionando. Os outros dois estão sendo usados como depósito. A estrutura limitada obrigou a redução no volume de atendimentos. São em torno de oito a 10 atendimentos por dia, dependendo da especialidade. "Com dois consultórios poderíamos atender entre 25 e 30 pessoas", comentou Martha.
A redução nos atendimentos também está impactando na receita da entidade. O Getexcel recebe os pagamentos do SUS de acordo com a produtividade. E tem um convênio com a prefeitura, que repassa R$ 4.500 por mês. A folha de pagamento está sendo paga em atraso. De acordo com a tesoureira, a folha de pagamento gira em torno de R$ 10 mil mensais. "Para não parar o atendimento, diminuímos a carga horária dos funcionários. Fizemos uma rifa de Natal, estamos vendendo o livro Papo de fogão com Tânia Terra (valor de R$ 15) e temos um bazar de roupas usadas", explicou Nádia.
O secretário de Saúde, Gilberto Martin, disse que vai solicitar à Secretaria de Obras uma avaliação da situação do prédio e um orçamento para a reforma. Ele também afirmou que precisa analisar a situação legal do imóvel para verificar se a responsabilidade é da prefeitura mesmo, mas enfatizou a importância do trabalho que a entidade presta. "Eles fazem um atendimento que é muito útil para a cidade", afirmou Martin. O atendimento na clínica deve ser retomado na segunda quinzena de janeiro.


