Quatro em cada dez imóveis onde já foram encontrados focos do mosquito da dengue foram notificados nas últimas três semanas por conta da reincidência na irregularidade. O balanço foi divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, que visitou 94 imóveis de todas as regiões de Londrina e encontrou criadouros em 42. Esses números podem crescer ainda mais, já que em 27 imóveis (28,72%) os proprietários não estavam no momento da ação e devem ser visitados novamente. Nessa avaliação, apenas 13 imóveis fizeram as adequações necessárias e regularizaram a situação (13,82%), um número muito baixo que leva a questionar a eficácia das estratégias de comunicação para convencimento dos proprietários de imóveis em relação ao combate ao mosquito Aedes aegypti.
Desde o dia 24 de novembro, Londrina encontra-se em alerta epidemiológico e em estado de emergência contra a dengue. O último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) apontou que Londrina está com um índice de infestação predial (IIP) de 7,9%, quando o tolerável pela Organização Mundial da Saúde é de 1%. Isso significa que em caso de recusa ou ausência de morador que impeça o acesso a imóveis particulares, como residências e estabelecimentos comerciais, o fiscal sanitário é autorizado a lavrar auto de infração e ingresso forçado.
A situação é tão crítica na cidade que em dois bairros da zona leste o índice de infestação predial atingiu níveis absurdos. No bairro Água das Pedras, o LiraA é de 50% e no Parque das Indústrias Leves esse índice atingiu 44% dos imóveis. Há outros bairros que estão com a infestação na casa dos 30% e se nada for feito o problema pode fugir do controle.
O fator econômico deve ser o principal argumento utilizado para que os moradores tomem providências para eliminar os criadouros de seus imóveis. Aqueles que cometeram infrações já foram informados e terão prazo de 10 a 15 dias para apresentar defesa junto à Vigilância Sanitária. O secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, destacou que se for constatado que o local não atendeu as recomendações da pasta poderão ser aplicadas multas, que variam entre R$ 208 e R$ 20,82 mil. O combate tem sido realizado de forma conjunta entre fiscais da Vigilância Sanitária, agentes de endemias e Guarda Municipal. Segundo Martin, Londrina chegou a esse quadro de estado de alerta epidemiológico e de emergência na saúde para dengue devido a uma situação climática bastante adversa, com muitas chuvas e altas temperaturas, o que torna o ambiente favorável para a proliferação do mosquito. "O último LIRAa apontou que 70% dos criadouros estão dentro dos domicílios", destacou.
Martin criticou ainda a falta de consciência da população, o que provocou uma mudança no trabalho dos agentes para que a população se responsabilize mais pela fiscalização dos próprios quintais. Ele destacou que nas unidades básicas de saúde, todos os dias, das 6 às 22 horas, serão realizadas ações educativas. Segundo ele, a população receberá instruções dos profissionais da saúde sobre o combate à dengue, nas salas de espera das UBS e nos grupos de atividades, com a fixação de cartazes, distribuição de panfletos e a divulgação de vídeos educativos.
Outros trabalhos serão realizados para intensificar a orientação sobre o controle, durante as visitas domiciliares ou o atendimento médico, de enfermagem ou odontológico. "Precisamos intensificar e incutir na compreensão das pessoas que a responsabilidade é de todos. Se a pessoa não fizer a fiscalização pelo menos três vezes por semana em seu quintal, os criadouros serão formados. As pessoas ainda tratam a dengue como se fosse problema de terceiros, mas cada um de nós possui a sua parcela de responsabilidade", destacou Martin. Ele apontou ainda que esses criadouros são formados em todas as regiões de Londrina, independentemente de classe social.
Desde ontem, dez veículos de aplicação do fumacê começaram a rodar pela cidade. Esses carros circularão de segunda a sábado, a partir das 5 horas e das 17 horas. A ação só não acontece em caso de chuvas ou ocorrência de ventos fortes.
"Essa aplicação do fumacê elimina os mosquitos alados, para tentar diminuir a deposição dos ovos, mas a eliminação dos criadouros depende da ação dos proprietários de imóveis, que devem eliminar os reservatórios de água de suas propriedades", alertou.
Vale lembrar que o mosquito Aedes aegypti se adaptou e vem depositando seus ovos em água suja também. Durante a ação do fumacê, deve-se deixar portas, janelas e cortinas abertas, além de cobrir alimentos e a água de animais domésticos.
Vale lembrar que a variedade de sorotipos da dengue é o que impede que se produza uma vacina realmente eficaz para a doença, pois a pessoa que tem a dengue tipo 1 e anos depois contrai a dengue tipo 2, neste segundo momento a doença pode se apresentar com maior gravidade. Existe uma modificação no sistema imunológico da pessoa que, ao invés de combater o vírus, facilita sua multiplicação.
As denúncias sobre possíveis focos do mosquito Aedes aegypti devem ser feitas pelo telefone 153, que funciona 24 horas.
Hoje haverá carreata da mobilização "Dê um presente a Londrina: 24 horas contra a dengue". Sairá do pátio da prefeitura, às 9 horas. O ponto de encontro será na Rua Octávio Zanetti, a partir das 8 horas. Conforme o itinerário programado, os veículos seguirão para a Rua Governador Parigot de Souza, Avenida Duque de Caxias sentido centro, Bandeirantes, Gomes Carneiro, Higienópolis, Goiás, João Cândido, Leste-Oeste e São Paulo. Às 10h30, técnicos e agentes da Secretaria Municipal de Saúde estarão no Calçadão para distribuição de panfletos educativos e darão orientações sobre as formas corretas de cuidar dos quintais para evitar a proliferação do mosquito.

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