Os imóveis fechados em diversos bairros de Londrina podem estar servindo de criadouros para o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. A situação preocupa a Secretaria Municipal de Saúde, mas até agora as medidas adotadas neste sentido não estão alcançando a eficiência necessária. ''Não temos autonomia para entrar numa propriedade particular. Legalmente, não podemos forçar a entrada'', afirmou ontem o chefe de Vigilância Sanitária, Marcelo Viana de Castro, em relação à vistoria que os 186 agentes de controle da dengue fazem aos imóveis fechados. Hoje não existe um plano de ação específico para esses casos.
O secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, disse que ''todas as medidas para fiscalizar estão sendo tomadas'', mas advertiu que ''os donos dos imóveis fechados são responsáveis pelo cuidado e higiene do local''. A lei municipal nº 8.815, de junho do ano passado, de autoria do vereador Tercílio Turini, estabelece penalidades e multas para quem não cumprir as normas que evitem a propagação de doenças trasmitidas por vetores.
Entretanto, é orientação do Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD), entre outras ações, a atualização do número de imóveis de cada cidade. Em Londrina, segundo o coordenador de Endemias, Luiz Alfredo Gonçalves, da Secretaria Municipal de Saúde, existem 162 mil imóveis. Deste número, cerca de 12%, de acordo com Gonçalves, estão fechados. A secretaria está diante de um problema difícil de resolver. Os dados foram apresentados pelo secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, aos 300 participantes da audiência pública de combate à dengue, realizada na Câmara de Vereadores, na última segunda-feira.
O Departamento de Vigilância Sanitária vistoria os imóveis fechados, encaminhados pela coordenadoria de Endemias, quando os proprietários não são encontrados pelos 186 agentes de controle de saúde. ''Eles estão enfrentando muitas dificuldades, às vezes, chegam a passar três a quatro vezes na mesma casa, sem resultado'', comentou Gonçalves. Por outro lado, Viana de Castro admitiu que não tem idéia de quantas notificações já foram feitas este ano pela Vigilância Sanitária aos proprietários de imóveis fechados. Disse também que este ano nenhuma ordem judicial foi solicitada para assegurar a realização das vistorias necessárias. No ano passado, segundo Viana de Castro, duas ordens judiciais foram concedidas com esse objetivo.
Na tentativa de sensibilizar os proprietários dos imóveis fechados sobre a campanha de combate à dengue, o coordenador de Endemias pede que as pessoas entrem em contato pelo 0800 400-1893 dando autorização para que o trabalho possa ser feito. Ontem, o departamento recebeu informação de que uma construção na Avenida Leste/Oeste (a obra está parada) está juntando água na laje. O proprietário foi procurado pela reportagem, mas não foi encontrado.