Londrina - Casas fechadas para alugar ou vender são barreiras para o trabalho dos agentes de combate à dengue. O técnico operacional Nelson Gomes, morador da Rua Governador Valadares, no Jardim Andrade (zona oeste de Londrina), reclama que um imóvel próximo à casa dele, localizado na Rua Foz do Iguaçu, está há mais de um mês fechado, mas com a piscina cheia. "É preocupante ver toda aquela água parada", afirmou. A imobiliária, por sua vez, garante que o imóvel não está abandonado e que a aplicação de cloro é feita periodicamente para evitar a formação de criadouros do Aedes aegypti.
A coordenadora de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Diana Martins, diz que conhece o imóvel e que ele não representa risco. Ela afirma, porém, que a situação mais crítica naquela região é um terreno baldio que fica ao lado, na Governador Valadares, que virou ponto de despejo irregular de lixo. "Recentemente tinha até vaso sanitário. Toda vez que é feita a limpeza, o pessoal começa a jogar lixo de novo." Gomes concorda que a situação do terreno é preocupante.
Desde 27 de maio do ano passado está em vigor a Lei 12.077, que estabelece que as imobiliárias e construtoras devem vistoriar semanalmente os imóveis inacabados ou que estão para negociação. Marla Cristian Joaquin, coordenadora do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR), aponta que no ano passado foram ministrados cursos durante a campanha de adequação à nova lei municipal.
Diana ressalta que os imóveis que não estão sob cuidado das imobiliárias são os mais difíceis de vistoriar. "Nos imóveis particulares, que não estão sob responsabilidade de nenhuma imobiliária ou construtora, é mais difícil fazer a inspeção. Muitas vezes o proprietário vai embora de Londrina e fica difícil de localizá-lo", apontou.
O promotor de Justiça de Defesa da Saúde Pública de Londrina, Paulo Tavares, expôs que não recebeu nenhuma queixa em relação a imóveis particulares, mas apontou que, por ser um órgão municipal, a própria vigilância tem condições de fazer a pesquisa sobre quem são os donos dos imóveis e solicitar, por meio da Procuradoria-geral do município, autorização para entrar nos imóveis. "O município pode protocolar esse pedido judicial para vistoriar esses imóveis. Isso me leva a repetir que seria necessária uma procuradoria específica para a área da saúde." Denúncias sobre imóveis fechados com risco de foco de dengue podem ser encaminhadas ao e-mail [email protected].

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