Curitiba - Uma pesquisa que começou a ser realizada recentemente por alunos do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Positivo (UP) pretende descobrir o percentual de edificações em Curitiba e Região Metropolitana que possui dispositivos capazes de prevenir acidentes elétricos, como choques, panes em equipamentos e até princípios de incêndio. A utilização desses dispositivos está prevista em normas técnicas que, ao menos em teoria, deveriam ser levadas em conta em qualquer instalação elétrica.
O professor Salmo Pustilnick, coordenador do curso, explica que as principais regras para instalações elétricas são definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Uma delas é a NBR-5410, que traz todas as medidas que devem ser tomadas quando se faz a rede elétrica de um imóvel, além de enumerar uma série de dispositivos que devem ser instalados. ''É uma norma bastante completa, com detalhes minuciosos em relação às instalações elétricas'', afirma o professor. ''Mas a gente percebe que o não cumprimento das normas é recorrente. Parte da população desconhece a existência dessas normas e alguns profissionais não são tão rigorosos no respeito a elas'', alerta.
Pustilnick afirma que essa omissão pode trazer prejuízos à qualidade das instalações, inclusive comprometendo equipamentos ligados a essa rede. Os maiores perigos, porém, são os acidentes que podem colocar em risco a saúde e até a vida das pessoas. ''Às vezes o profissional negligencia certos aspectos e acaba colocando em risco a segurança dos usuários daquela instalação'', declara.
Um dos principais problemas, de acordo com Pustilnick, é a não utilização de um dispositivo conhecido como Diferencial Residual (DR), classificado pelo professor como uma espécie de ''cão-de-guarda'' da instalação elétrica. ''Ele tem o aspecto de um disjuntor e tem a função de proteção contra choques elétricos e princípios de incêndio'', diz. ''Quando uma criança coloca um dedinho na tomada, o dispositivo desliga (a corrente elétrica) antes que ela leve o choque. Esse dispositivo oferece proteção muito significativa e é obrigatório para qualquer edificação que tenha um ambiente úmido, como banheiro, cozinha, lavanderia'', exemplifica.
Outro item cuja instalação é obrigatória em alguns casos é o Dispositivo de Proteção contra Surtos Elétricos (DPS). ''Os surtos são distúrbios causados, por exemplo, por descargas atmosféricas, por raios. Quando cai um raio em uma casa ou prédio, temos notícia de que foram queimados equipamentos eletro-eletrônicos. O DPS protege os equipamentos contra isso'', diz o professor.
Para tentar descobrir como anda o respeito às normas e a utilização desses dispositivos na região da Capital, os alunos da UP iniciaram duas pesquisas, referentes ao uso do DR e do DPS. ''Vamos determinar um perfil da utilização em relação ao padrão da residência'', diz Pustilnick.
Apesar de os resultados do levantamento ficarem prontos apenas no fim do ano, o professor diz acreditar que o número de imóveis com os dispositivos será baixo. ''A sensibilidade que eu tenho por experiência profissional é de que o percentual é muito baixo. Os dispositivos são mais utilizados em obras novas, principalmente em edifícios construídos por construtoras bem estabelecidas que minimamente cumprem as normas'', declara.

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