Londrina – No Residencial Vista Bela, na zona norte, as dificuldades das famílias por causa da falta de estrutura são testemunhadas pela cuidadora Edilene Florinda dos Santos, de 42 anos, que é uma das poucas pessoas do bairro que acolhe crianças enquanto os pais estão trabalhando. "Atualmente cuido de seis crianças, mas vivo recusando pedidos de pais que imploram para que eu fique com os filhos", destacou. No residencial moram cerca de 2,7 mil famílias.
Quem continua morando nas unidades do programa Minha Casa, Minha Vida concorda com as reclamações de quem partiu e deixou a casa para trás. A dona de casa Josi da Silva, de 32 anos, mora no Vista Bela com os quatro filhos - de 2 meses a 13 anos. Além da falta de instituições de ensino, ela critica a falta de água constante na rua onde mora. "Quem tem filhos precisa de muita água para deixá-los limpos, além disso temos a louça e a roupa para lavar. Moramos também vizinhos de uma plantação e o vento traz a terra para cá", reclamou.
O presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Londrina), José Roberto Hoffmann, confirmou que "existem situações em que algumas pessoas não se adequam ao novo lugar e não devolvem o imóvel para a Caixa, gerando uma situação irregular. Se esses moradores não querem mais as casas, os imóveis devem ser devolvidos para a Caixa", destacou. Ele informou que não existe um levantamento dos mutuários que abandonaram as casas.
Sobre a construção de escolas e creches nos residenciais, ele colocou que os imóveis foram entregues sem terrenos para esses equipamentos públicos e que o município oferece transporte escolar para outros bairros. "Os residenciais foram construídos só com a declaração do prefeito anterior de que iria fazer as escolas, mas ele não deixou nada pronto. Nós estamos correndo atrás disso para construir as escolas e creches", destacou.
O gerente geral da Sanepar da Região Norte, Carlos Roberto Pinto, admitiu que há problemas de abastecimento em três quadras do Vista Bela e afirmou que a companhia pretende aumentar o diâmetro da tubulação e aumentar a capacidade do reservatório de água que atende a região, mas isso só será viabilizado daqui a 90 dias.
A Caixa Econômica Federal foi procurada ontem à tarde, mas a assessoria de comunicação informou que se pronunciaria hoje sobre o assunto. (V.O.)

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