Londrina – A destruição de de uma casa de madeira no início da madrugada de ontem no Jardim Castelo (zona leste de Londrina) foi mais um capítulo de um problema que se tornou recorrente em Londrina: o incêndio de imóveis abandonados que servem de abrigo para pessoas em situação de rua ou consumidores de drogas. Nos últimos anos foram registrados casos em imóveis localizados na Avenida Rio de Janeiro, Rua Amapá, no Portal Turístico do Distrito de Warta, entre outros.
A sensação para quem mora ou trabalha nas proximidades desses espaços é de insegurança. Segundo os moradores do Jardim Castelo, o imóvel era frequentado por homens e mulheres que traficavam e usavam entorpecentes. Uma vizinha contou que essas pessoas chegaram a invadir sua casa, provavelmente, para furtar, mas a ação foi frustrada depois que ela começou a fazer muito barulho. "Ter um imóvel desses utilizado como mocó desvaloriza a nossa casa e faz com que tenhamos receio de sair de casa", destacou.
Uma outra moradora afirma que outros imóveis do bairro servem de mocó. Segundo ela, é grande o número de pessoas que circulam na região em busca de drogas e acabam entrando em imóveis que estão para alugar. "Uma das vizinhas, de tanto ser assaltada, resolveu se mudar", apontou.
Para quem trabalha ao lado de um mocó a sensação de insegurança é a mesma. Na esquina das ruas Bahia e Purus, há um galpão abandonado que frequentemente é utilizado como refúgio de pessoas que consomem drogas. "Essas pessoas também furtam os tacógrafos dos motoristas que fazem entregas para empresas do bairro", disse uma pessoa que trabalha nas proximidades.
As moradoras do Jardim Castelo ouvidos pela FOLHA reclamam que procuraram o poder público, mas as providências não foram tomadas. Uma delas relatou que acionou a Polícia Militar, a Guarda Municipal e a Secretaria de Assistência Social.
Segundo o subcomandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, capitão Nelson Villa, a PM não pode atuar nesses casos, pois trata-se de um problema social. "Eles não cometem crime algum ao buscar abrigo em um imóvel abandonado."
O secretário de Defesa Social, Rubens Guimarães, afirma que tem atuado junto à Secretaria Municipal de Assistência Social quando necessário.

CENTRO POP
A diretora de Proteção Social Especial da secretaria de Assistência Social, Nívea Polezer, destacou que o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, o Centro Pop, realiza a identificação dos imóveis públicos e privados que são utilizados como abrigo. "Em seguida realizamos o cadastramento das pessoas e tentamos o reencaminhamento delas para suas cidades de origem ou para suas famílias. Aqueles casos em que isso não for possível enviamos para acolhimento institucional para ser atendido pelo Centro Pop", destacou.
No caso dos imóveis privados, a indicação é que o morador incomodado faça uma queixa na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para que seja feita uma busca do proprietário do imóvel, que poderá ser notificado para tomar providências.
A diretora do Sinal Verde, Mariluce Queiroz dos Santos, afirmou que atualmente a pasta identificou 50 imóveis públicos e privados que são utilizados como abrigos ou como mocós. "Se for em um imóvel público, a nossa equipe vai com uma equipe da Secretaria de Saúde para tentar ajudar essas pessoas a superar essa condição", ressaltou.

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