Lúcio Horta
De Londrina
Delegados e funcionários do 6º Distrito Policial podem ser obrigados a deixar o imóvel que ocupam, no Parque Guanabara, zona sul de Londrina. O motivo é uma ação de despejo que o proprietário Henrique Tazima move contra a Secretaria de Estado da Segurança Pública. Há mais de dois anos o pagamento do aluguel, hoje no valor de R$ 580,00, não é realizado. O processo foi encaminhado pela Imobiliária Veneza – procuradora de Tazima, que trabalha no Japão – e corre na 2ª Vara de Fazenda Pública de Curitiba.
Segundo Fernando Alcântara, gerente da imobiliária, a Secretaria de Segurança alugou o imóvel em dezembro de 1995. A partir de novembro de 97, no entanto, parou de pagar o aluguel. ‘‘Falamos com várias pessoas e chegamos a ir pessoalmente para Curitiba. Mas o negócio virou um jogo de empurra-empurra e ninguém resolveu nada’’, reclamou Alcântara.
Sem conseguir um acordo, a imobiliária entrou com o processo de despejo em março do ano passado. O gerente diz que não tem idéia de quando deverá sair o despejo nem qual é o valor da dívida – teria que somar os 27 aluguéis atrasados mais multas, honorários de advogados, despesas judiciais etc. Mas espera que a delegacia desocupe logo o imóvel. ‘‘O quanto antes. Aí o problema será receber a dívida’’, observou, completando que o inquilino do imóvel é ‘‘um dos piores’’ que já teve.
O imóvel do 6º DP tem 170 metros quadrados de construção, com três quartos (suíte) e está localizado em local nobre. Lá, são investigados a maioria dos crimes de parte da zona sul e distritos rurais. Atualmente, segundo o delegado Marcos Roberto Belinati, que responde interinamente pelo distrito, correm na delegacia de 200 a 250 inquéritos. Ontem ele informou que não sabia nada sobre a ação de despejo. O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, também disse desconhecer o problema.
A Folha tentou falar sobre o problema com a Secretaria Estadual de Segurança mas teve dificuldades. O primeiro contato foi com a assessoria de imprensa da secretaria e a ligação foi transferida para outras seis pessoas, incluindo funcionários do departamento financeiro e do setor de contratos.
Um funcionário identificado por Melo disse que iria levantar o problema e ligaria em seguida. Pouco tempo depois, a assessoria de imprensa retornou informando que a secretaria estaria fazendo um levantamento sobre a situação do imóvel e somente hoje teria resposta.

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