Imobiliária derruba 240 mil m2 de mata
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Albari RosaArrasaTerreno desmatado pertence à Imobiliária Santa Monada, que não tem autorização da prefeitura para derrubar árvoresUma área de 240 mil metros quadrados de Mata Atlântica virgem está sendo desmatada ilegalmente na região do balneário Shangrilá, no município litorâneo de Pontal do Paraná. A área, protegida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e destinada à construção do Canal de Navegação, vem sendo destruída desde março deste ano, quando o proprietário do terreno ordenou o desmatamento. Várias árvores de madeiras nobres e espécies raras de plantas, como bromélias e orquídeas silvestres, já foram cortadas.
A prefeitura municipal, que ofereceu queixa à Promotoria do Estado no início desta semana, ficou sabendo do desmatamento por denúncia dos moradores que vivem próximos ao local. Segundo o secretário de Meio Ambiente de Pontal do Paraná, Alsenir Rodrigues, a prefeitura não foi comunicada da intenção do proprietário e tampouco autorizou o desmatamento. Como existe uma estrada pertencente ao município que atravessa a propriedade, o secretário afirma que somente depois da concessão do documento de anuência prévia é que a área poderia ser explorada. O único documento de autorização que a propriedade possui foi expedido pelo próprio IAP.
O chefe do escritório do IAP em Paranaguá e autor da autorização, Mauro César Lanzoni, afirma que a reclamação da prefeitura não tem respaldo legal. Segundo o chefe do escritório, o município só precisa ser consultado caso o desmatamento esteja sendo feito para abrigar empreendimentos imobiliários, industriais ou comerciais. Neste caso o proprietário quer apenas fazer uma plantação nas proximidades da estrada, disse. Na entrada da área, no entanto, uma placa exibe o nome da imobiliária Santa Monada como sendo a proprietária do local. Lanzoni afirma desconhecer a existência da placa.
Segundo os funcionários da empreiteira responsáveis pela retirada das árvores, o proprietário ordenou que fossem desmatados 120 metros lineares de floresta de cada lado da estrada, numa extensão de dois quilômetros. Apesar da cena de destruição, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente ainda não tem um levantamento exato sobre o total da área desmatada. Pelos regulamentos do IAP, até 80% das áreas cobertas de Mata Atlântica podem ser desmatadas.
O local que está sendo desmatado faz parte de um dos trechos incluídos pela prefeitura num projeto de ecoturismo. A Estrada Ecoturística do Guaraguaçú - a antiga estrada que liga a PR-412 a Pontal do Sul - será reformulada pelo município, que pretende criar um roteiro alternativo para as visitas ao Litoral. Segundo os planos da prefeitura, todas as áreas ao redor da estrada serão destinadas à preservação ambiental.


