Curitiba - Uma instituição vista com desconfiança pela população, carente de investimentos e que caía no esquecimento do governo do Paraná. Esse era o retrato recente do Instituto Médico Legal (IML) do Paraná. No dia 22, o IML completou 11 meses sob intervenção. Almir Porcides Junior, coronel formado pelo Corpo de Bombeiros e há mais de 20 anos no serviço público, foi nomeado interventor pelo secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, com a missão de melhorar toda estrutura do Instituto.
Muitas mudanças foram necessárias. O coronel começou pela prisão de dois motoristas acusados de tentar extorquir dinheiro de uma família para que encaminhassem o corpo de um parente direto para uma determinada funerária da Capital. Infelizmente - nas palavras do próprio coronel-, os dois voltaram a trabalhar no IML, por força de uma liminar. Quatro meses depois, o Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) descobriu no IML um esquema montado por três pessoas, entre elas um ex-funciário do Instituto, para receber ilegalmente dinheiro do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (Dpvat). Leia a seguir trechos da entrevista concedida por Porcides, que falou sobre obras nos institutos do Interior.

Como era o IML e o que mudou?
Senti que era uma instituição que estava em decadência e que estava, vamos dizer assim, na UTI. Acho que já teve uma evolução substancial porque não é apenas o IML de Curitiba, mas sim todo IML do Paraná. E todos com problemas. No final do ano passado chegaram seis novos rabecões. Para este ano, já estamos em processo de licitação, dando início à compra de mais oito rabecões.
Como está o atendimento à população?
Acho que melhorou sensivelmente, tendo em vista que colocamos parte da equipe como chefe nos plantões.
O número de funcionários aumentou?
Tínhamos por volta de 400 funcionários. Depois de nossa chegada aqui, muitas pessoas pediram aposentadoria. Mas vão chegar por concurso mais médicos, auxiliares de necrópsia.
O senhor acredita que a falta de funcionários ainda seja um problema?
Tem cidades do interior onde há pouquíssimo pessoal. A gente vai fazer um estudo de viabilização de um novo concurso para preencher essa falta este ano.
Para falar especificamente de duas cidades: Londrina e Curitiba, como estão?
Londrina é um pólo em franco desenvolvimento, que não tem tantos problemas como Curitiba. O administrador é uma pessoa competente, organizada. Estivemos lá, no decorrer do ano passado, visitando, e constantemente vamos para Londrina.
Quais são os principais problemas que deverão ser solucionados nos IMLs do Paraná?
Dotar todos os IMLs de estrutura. Faltam equipamentos, geladeiras, rabecões. Estão em fase de licitação alguns novos IMLs. Vamos começar por Curitiba. Outras sedes que serão novas são Londrina, Maringá, Paranavaí, quase em fase de licitação da obra, Toledo e União da Vitória. As demais são estruturas que estão caminhando e suportando.
Qual a previsão para a conclusão dessas novas construções?
Até 2010. Provavelmente, até o final do ano (2009), já tenhamos inaugurado Paranavaí, Toledo e União da Vitória. Esses de maior porte, Curitiba, Londrina e Maringá, na sequência.
E a demora na conclusão dos exames feitos pelo IML? É por falta de estrutura?
Não. É um prazo legal. Fosse só a necropsia em si, era na hora. Mas como há casos que envolvem crimes e que no corpo da pessoa pode ter algum outro resíduo, vai para a química legal e para a toxicologia, para não dar problema investigatório, em que o médico venha a responder lá na frente.
Quanto foi investido no IML, desde que o senhor assumiu, e como será o investimento daqui para frente?
Só em construções serão investidos em torno de R$ 5 milhões. E o que foi investido do ano passado para cá, apenas de material, mais de R$ 300 mil. Foram equipamentos de necrópsia, de laboratório, todos os materiais pertinentes, a química legal, toxicologia, a medicina legal e a anatomopatologia. E os rabecões. Eram dois e agora são seis.

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