Marcos BorgesCadeira difícilO médico Antonio Queiroz, novo chefe do IML local: terceiro ocupante do cargo em menos de um anoUm dos problemas mais graves que o Instituto Médico Legal (IML) de Londrina enfrenta é o atraso na emissão de quase mil laudos de perícia, que estão acumulados há meses. Para solucionar o caso, o novo chefe do IML, Antonio Carlos de Queiroz, sugeriu ao Governo do Estado a terceirização do serviço de digitação e impressão dos laudos.
O médico legista Antonio Queiroz assumiu a chefia do IML local anteontem, no lugar do perito químico legal Ademar Consalter, que estava demissionário. Ele explica que começou a trabalhar no Instituto em janeiro e percebeu que o maior problema é o atraso nos laudos, o que provoca transtornos para o Poder Judiciário e para a Polícia. A grande maioria dos laudos, segundo ele, se refere a lesões corporais.
Todos os laudos já estão rascunhados pelos médicos legistas e se acumularam devido à falta de funcionários no setor administrativo. O chefe do IML explica que uma funcionária está prestes a se aposentar e a outra, grávida de oito meses, deve entrar em licença-maternidade em breve. ‘‘A tendência é de a situação ficar mais crítica’’, observa. Ele informa que existem laudos rascunhados até do ano passado.
Na opinião do médico, a solução para o caso é terceirizar o serviço, contratando uma empresa que se disponha a colocar quatro digitadores trabalhando em tempo integral, de segunda a sexta-feira, até a conclusão de todos os laudos. Em uma segunda fase, dois digitadores continuariam trabalhando em tempo integral para fazer o trabalho de rotina. Em média, o IML é responsável por cerca de 10 laudos diários.
Uma empresa já foi consultada e informou ao chefe do IML que o serviço para digitar e imprimir cerca de 1.200 laudos em duas vias custaria R$ 1,00 cada laudo. O serviço demoraria cerca de 20 dias para ser concluído. ‘‘Os valores envolvidos não são altos e iríamos resolver um grande problema’’, afirma. O médico informa que a sugestão foi ‘‘bem vista’’ pelo secretário estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, e pelo diretor geral do IML do Paraná, Francisco Moraes da Silva.
Antonio Queiroz diz que essa seria uma solução provisória para o acúmulo dos laudos. Para se acabar definitivamente com o problema, seria necessário a realização de um concurso público para contratar mais servidores para o setor administrativo.
O chefe do IML acredita que seria necessária a vinda de mais três funcionários para fazer o atendimento na secretaria. ‘‘As duas funcionárias que temos hoje, além de fazer a digitação, têm que atender o telefone e o público que comparece ao Instituto.’’ A pedido do secretário e do diretor do IML, Antonio Queiroz enviou um relatório apontando esses e outros problemas do IML, além de sugestões de como solucioná-los.
A troca na chefia do Instituto Médico Legal tem sido frequente. O médico Antonio Carlos de Queiroz, que assumiu o cargo anteontem, é o terceiro em menos de um ano. Antes dele, estavam na chefia o perito químico legal Ademar Consalter e o médico legista Fernando Milani.
Além disso, o IML local sempre foi visto como um órgão problemático. Atraso na emissão de laudos, falta de funcionários, equipamentos sucateados, discussões internas, serviços mal acabados são algumas das reclamações. Antonio Queiroz diz estar consciente sobre a imagem do Instituto.
Ontem à tarde, o novo chefe do IML realizou uma reunião com os funcionários administrativos. Novos encontros devem ser realizados com outros servidores hoje. Antonio Queiroz diz que pretende ainda conversar com o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Leonyl Ribeiro, e com representantes do Judiciário.

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