IML reflete crescimento da violência
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terça-feira, 25 de maio de 2010
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
A sala de espera está sempre cheia, a fila é constante. A maioria da clientela que aguarda é de pessoas que sofreram algum tipo de agressão ou acidente de trânsito. Enquanto isso, no setor de necropsia, em uma sexta-feira, três corpos esperam o médico-legista. Esse é o Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, que, ao contrário do que muitos possam imaginar, vai além das geladeiras.
Os atendimentos do IML atualmente refletem o momento pelo qual passa a cidade, a região e o Estado. Em todo o Paraná, o instituto realizou 44.735 atendimentos de clínica médica (em vivos) no ano passado - número superior ao de habitantes de Santo Antônio da Platina, a mais populosa cidade do Norte Pioneiro, com 42 mil pessoas.
Necropsias em vítimas de morte violenta foram 6.317 no mesmo período. É como se toda a população de Sertaneja (Norte) - 5.924 habitantes - tivesse passado pelos necrotérios de uma das 17 unidades do IML no Paraná. Os dados são do próprio instituto e do IBGE.
Em Londrina, o fluxo também aumenta no mesmo ritmo da violência. Somente perícias de corpo de delito, ou seja, exame para detectar se uma pessoa realmente foi vítima de agressão - casos que vão de brigas de vizinhos a abuso de poder de agentes públicos - são, em média, 600 por mês. Na área de tanatologia, onde se realizam as necropsias, são 110. Na casa das dezenas estão as perícias feitas por meio de uma determinação judicial, que visa checar se as vítimas de acidentes de trânsito têm ou não direito de receber o seguro que indeniza por Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT). Há também o departamento de psiquiatria forense, que recebe pelo menos oito ''clientes'' por semana, e o de toxicologia.
Outro dado constatado pelos profissionais do IML é o aumento de crianças vítimas de violência sexual. Um dos peritos relatou que, naquele plantão de 12 horas, já havia examinado seis, todas menores de 12 anos; a maioria agredida por familiares.
Atendendo a toda essa demanda estão aproximadamente 20 pessoas, entre médicos, dentistas, um químico-legal e outros profissionais. A eles cabe a responsabilidade de entregar à polícia ou à Justiça laudos técnicos que podem implicar na prisão ou na liberdade de alguém.
''Todo mundo acha que lidamos com mortos, que fazemos o que sobrou da medicina. Não é nada disso. Cabe-nos produzir a prova técnica de um crime'', desabafa o médico-legista Gabriel Fernandes, há 30 anos na profissão.
A percepção da sociedade de que o IML é lugar só de mortos faz uma jovem médica, 33 anos, que há seis meses trabalha por lá, só aceitar conceder entrevista sob a condição de anonimato. Tem certeza de que perde os clientes da clínica particular se eles souberem de sua segunda função. ''Não tinha a noção de que há tanta violência. E o que mais me assusta é que a maioria das vítimas que chegam aqui morreram 'sem necessidade', em acidentes de trânsito ou por envolvimento com o tráfico de drogas.''


