Maurício Borges
De Apucarana
O Instituto Médico-Legal (IML), de Apucarana, que presta atendimento a 26 municípios da região centro-norte do Estado (Vale do Ivaí), poderá paralisar suas atividades nos próximos dias por falta de médicos legistas. O contrato temporário de trabalho dos médicos Jaime de Barros Silva Júnior e Narciso Marques Moure, que tinha duração de dois anos, terminou há 20 dias e, por enquanto, os dois legistas continuam prestando serviço sem remuneração.
Na estrutura de funcionamento do IML de Apucarana, que possui câmara fria e uma viatura, permanecem o médico Angelo Yassushi Hayashi, que é funcionário público estadual e ocupa o cargo de diretor do órgão; um auxiliar administrativo e um auxiliar de necropsia, além de um investigador (cedido pela Polícia Civil) e uma auxiliar de serviços gerais (cedida pela Associação de Proteção à Maternidade e Infância-APMI).
A falta dos legistas, conforme admitem os próprios funcionários do IML, causará transtornos à população de Apucarana e municípios vizinhos. Em janeiro, mantendo a média dos meses anteriores, foram realizados 15 exames de necropsia e outros 125 procedimentos resultantes de lesões corporais e violência sexual.
O funcionamento do IML, desde que foi instalado em sede própria, em maio de 1998, sempre esbarrou na burocracia do Estado. Na época, a contratação de médicos-legistas também foi demorada. Até mesmo a construção do prédio, de 300 metros quadrados, edificado nos fundos da antiga delegacia – atual sede da Corregedoria Regional da Polícia Civil –, foi complicada e demorada. Prefeituras de municípios da região contribuíram com mão-de-obra e aquisição de material. Foi preciso até a ajuda de um banqueiro do jogo do bicho para conclusão da obra.
A Folha tentou ontem contato com o diretor-geral da Secretaria de Segurança Pública, Amauri Ramos, mas não o encontrou e, até as 18 horas, ele não retornou o telefonema.

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