Odair Straliotti‘‘Descaso’’ Sem dispor de um médico-legista há cerca de dois anos, quando o titular do cargo morreu em um acidente de carro, o Instituto Médico-Legal de Apucarana (IML) deve parar suas atividades a partir do próximo dia 30. O anúncio foi feito ontem pelo secretário municipal de Saúde, Jairo Barreto Miranda. Ele argumenta que o funcionamento do órgão é de responsabilidade do Estado e que não está havendo apoio para contratação de médicos.
A Associação dos Municípios do Vale do Ivaí (Amuvi), que congrega 26 dos 36 municípios atendidos pelo IML de Apucarana, manifestou-se ontem solidária à iniciativa de paralisar o funcionamento do órgão. ‘‘Já remetemos vários ofícios à Casa Civil do governo e à Secretaria de Segurança Pública, solicitando a contratação de dois médicos, e sequer resposta tivemos’’, afirmou ontem o coordenador do escritório da Amuvi em Apucarana, Ariovaldo Zanoni.
De acordo com ele, prefeitos e outras lideranças lamentam esse tipo de descaso que acontece em relação à situação do IML de Apucarana. Zanoni fez questão de lembrar que, recentemente, foram contratados dois médicos-legistas para o IML de Londrina.
O secretário de Saúde, Jairo Barreto Miranda, argumenta que, desde o início do ano, a prefeitura vem colaborando para manter o órgão em funcionamento, chegando a pagar um médico e ceder combustível para o veículo do IML. ‘‘Com a prefeitura em dificuldade financeira, esse médico trabalhou nos últimos meses, praticamente de forma voluntária, esperando que a situação fosse regularizada, mas infelizmente não estamos sentindo respaldo da parte do Estado’’, avalia o secretário.
Segundo ele, a prefeitura também cedeu toda a mão-de-obra para a construção da nova sede do IML junto ao prédio da antiga delegacia. ‘‘Apucarana e os municípios vizinhos estão se cotizando para viabilizar a obra, que seria de responsabilidade do Estado, mas não está havendo a recíproca da parte do governo’’, avalia Miranda, explicando que atualmente o IML funciona precariamente numa sala cedida pela Funerária Municipal.
Médicos De acordo com o médico Jaime Barros Júnior, que tem atuado provisoriamente na função de legista, o IML de Apucarana atende uma média de 350 casos/mês de 36 municípios da região Centro-Norte. Entre os procedimentos atendidos ele cita, lesões corporais, exames de necrópsia e violência sexual.
‘‘Não queremos que o IML feche ou saia de Apucarana, reivindicamos apenas uma solução para o quadro de médicos’’, diz Barros, acrescentando que Londrina e Maringá têm recusado os casos encaminhados da nossa região, porque não conseguem atender sua demanda de serviços.
O médico revela que para o IML de Apucarana existem duas vagas, e não dá para entender por que não preenchidas, seja de forma provisória ou através de concurso. ‘‘Do jeito que está não dá para continuar, e o jeito é párar e esperar uma solução do Estado’’, conclui Barros.

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