A necrópsia do corpo de Maria Estela Pacheco, 35 anos, realizada pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina não determinou a causa da morte da professora, ocorrida dia 14 de outubro. O resultado foi entregue ontem no final da tarde ao delegado-adjunto João Eduardo Carulla na presença de jornalistas. Segundo o Instituto de Criminalística, a professora foi morta antes de ser jogada do 12º andar do Edifício Diplomata, no centro da cidade. O principal suspeito do crime é o agropecuarista Mauro Janene Costa, 34 anos.
Segundo o médico-legista Rogério Luiz Eisele, relator do laudo, existem várias hipóteses que não podem ser descartadas, mas a única certeza é que Maria Estela morreu antes da queda. Conforme Carulla, isso já constitui um crime passível de prisão de seis meses a quatro anos.
Para Eisele e Angelo Cançado Franco a professora pode ter morrido em decorrência de um traumatismo craniano, parada cardíaca reflexa ou asfixia. O relator disse que no choque com o solo o crânio foi totalmente esmagado e isso poderia mascarar um traumatismo anterior. No laudo toxicológico não foram encontrados vestígios de cocaína, maconha ou qualquer outra droga.
No entanto, foi confirmada a presença de 1,2 grama de álcool por litro de sangue que, de acordo com Eisele, poderia provocar uma parada cardíaca em associação a uma grande descarga de adrenalina, compressão do tórax ou pescoço. Apesar de não ter sido encontrado nenhum sinal de estrangulamento, Eisele disse que uma chave de braço ou uma compressão em determinada região do pescoço poderia ter causado asfixia no estado em que a vítima se encontrava. ‘‘A quantidade de álcool não era muito grande, mas suficiente para afirmar que ela estava embriagada. Mesmo sem poder identificar a presença de maconha, não podemos descartar essa possibilidade, pois até mesmo seus parentes disseram que ela fazia uso da droga’’, afirmou o médico-legista.
As fotos do laudo de 12 páginas mostram que a vítima apresentava uma grave fratura na altura da panturrilha, escoriações nos braços e nas costas provocadas, provavelmente, pelo atrito com a parede do edifício ou da sacada. O ângulo esquerdo da boca também foi afetado, segundo Eisele, possivelmente, resultado de uma bofetada. As manchas hipostáticas, formadas pela decantação do sangue, concentravam-se, principalmente, nos antebraços e no lado direito do corpo. ‘‘Isso prova que ela morreu entre 4h30 e 5h30’’, frisou o legista que identificou marcas de sandálias que não foram encontradas nos pés da vítima.
Mesmo constatando que Mauro Janene da Costa mentiu ao dizer que a morte foi um acidente, Carulla não vai pedir sua prisão. Como principal suspeito, o agropecuarista deverá ser ouvido novamente pela polícia. O delegado disse que pretende ouvir vizinhos e funcionários do Edifício Diplomata. Paulo Cesar Roca, que segundo declarações esteve com Maria Estela e Mauro Janene antes da morte, também será intimado. ‘‘Vou fazer o possível para concluir esse inquérito na próxima semana. Se ele vai definir a culpa ou não do Mauro só o futuro pode responder. Isso vai depender dos próximos depoimentos’’, explicou.
Ainda abalado com a morte da filha, Joaquim Pacheco disse que confia na Justiça, ‘‘pelo menos a de Deus’’. Apesar da resistência em emitir opiniões, ele disse que preferia que Mauro estivesse preso. ‘‘Não o conhecia, mas também não sabia tudo sobre a vida particular de Maria Estela. Para mim, ela era uma mulher normal que trabalhava, estudava e convivia com a família’’, resumiu.
O advogado do agropecuarista, Mauro Viotto, disse por telefone celular, que só daria declarações sobre o assunto hoje. O promotor da 1ª Vara Criminal, Miguel Jorge Sogaiar, não foi encontrado para comentar o resultado da necrópsia.

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