IML investiga ossada achada em sítio
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terça-feira, 30 de maio de 2000
Betânia Rodrigues - De Londrina Edna Mendes - De Cornélio Procópio 
A Polícia Civil de Londrina encontrou ontem pela manhã uma ossada humana, supostamente de uma mulher, que pode ser da auxiliar de enfermagem Maria de Fátima Peixoto, desaparecida no dia 24 de agosto de 1998, em Cornélio Procópio. A ossada estava enterrada no cafezal do Sítio Diamante, localizado a sete quilômetros do centro de Londrina.
Ela foi descoberta no final da tarde de anteontem por um cachorro pertencente a um dos funcionários da propriedade. De acordo com o delegado de plantão, Jorge Barbosa, a cova tinha aproximadamente 50 centímetros de profundidade e por isso o vira-lata Neguinho conseguiu arrancar um osso do cadáver e um pedaço da roupa.
De acordo com os peritos do Instituto de Criminalística que estiveram no local, o cadáver deve ter sido enterrado há cerca de dois anos. As roupas estavam intactas e cobertas por um pó branco, que pode ser cal. O proprietário do sítio, Edivaldo Zampar, disse que é comum aparecer peças de carros e motos na propriedade.
A identificação da ossada depende agora dos exames de arcada dentária e DNA que devem ser feitos nos próximos dias pelo Instituto Médico-Legal (IML) em Londrina. Segundo a polícia, a prima da auxiliar de enfermagem, Elizabete Gomes de Oliveira, reconheceu as roupas e o sapato encontrados junto à ossada como sendo de Maria de Fátima.
Ontem, a irmã de Maria de Fátima, Maria José Domingues, encaminhou de Cornélio Procópio, via fax, ao IML uma cópia da documentação da arcada dentária. Mas no final da tarde os dentistas que atuam no órgão decidiram só realizar o exame com a documentação original.
Maria José disse à Folha que a possibilidade de a ossada encontrada ser de sua irmã pode acabar com as incansáveis buscas que a família tem feito desde o desaparecimento. Não vemos a hora desse sofrimento acabar, disse. A mãe delas morreu no final do ano passado depois de uma depressão agravada pelo desaparecimento da filha.
Maria de Fátima, na época com 27 anos, desapareceu ao sair da Santa Casa de Cornélio Procópio onde trabalhava. Apesar de parte das roupas dela terem sido encontradas próximo ao Rio Couro de Boi, na zona rural de Sertanópolis, o corpo nunca apareceu. O principal suspeito era o ex-marido dela, o mecânico Lázaro Oliveira, que chegou a ser indiciado pela polícia após contradições em seu depoimento. No início deste ano, Oliveira morreu em um acidente de carro no mesmo local onde as roupas foram encontradas.
Segundo Maria José, na época, a família levou os fios de cabelos encontrados nas roupas ensanguentadas juntamente com amostras de cabelos e sangue da mãe delas ao Instituto de Criminalística de Curitiba, mas até hoje o resultado do exame não foi divulgado. Não entendemos o motivo de tanto descaso.


