Cristine Pieske

Arquivo FolhaFrancisco Silva, diretor-geral do IML: semelhança entre cadáveresA identidade do homem que foi enterrado por engano pela família do pedreiro Osni Martins, em São José dos Pinhais, foi divulgada ontem pelo Instituto Médico Legal (IML). O verdadeiro morto é o assaltante Guiomar Alves, de 38 anos, nascido em Paranaguá e condenado a dez meses de prisão por furto qualificado. A identificação somente foi possível graças à análise das fotos e digitais do cadáver, tiradas no dia da morte pelo IML de Paranaguá. As digitais foram analisadas ontem pela manhã no Instituto de Indentificação, revelando o nome do verdadeiro morto.
A história do falso enterro do pedreiro Osni Martins causou espanto entre seus parentes e acabou virando motivo de piada. O pedreiro havia viajado de bicicleta no início de janeiro para o município de Matinhos, onde passou alguns dias trabalhando. Como ele demorou para voltar para casa e não deu notícias, seu irmão, o vigia João Maria Martins, foi até o o IML de Paranaguá para fazer o reconhecimento do corpo de um ciclista que tinha morrido em um atropelamento. O irmão identificou o corpo como sendo o de Osni Martins e a família velou e enterrou o suposto parente. Quase dez dias depois, Osni voltou tranquilamente para casa, surpreendendo a família e ganhando o apelido de o ‘‘morto-vivo de São José dos Pinhais’’.
Segundo o diretor-geral do IML do Paraná, Francisco Moraes Silva, a confusão de identidades dos cadáveres pode ser explicada pela semelhança entre Osni e Guiomar. Ambos tem o rosto arredondado, peso, altura e idades semelhantes, além de caracteríticas físicas como cor de cabelo e tom da pele. O diretor do IMl afirma que o fato de Guiomar ter sido atropelado, o que deixou seu corpo com várias lesões, também atrapalhou a identificação. ‘‘Qualquer um poderia se confundir em uma situação como essa, em que existe uma alteração muito forte da expressão facial do indivíduo’’, diz.
Até o momento, o IML ainda não conseguiu localizar a família de Guiomar Alves para comunicar sua morte. Pelos dados fornecidos pelo Instituto de Indentificação, Guiomar era filho de Antônio Alves e Agegair Zella Alves. Para que seu corpo possa ser transferido do local onde está enterrado - que pertence à família de Osni Martins, que já reclama a posse da sepultura - os pais ou qualquer outro familiar de Guiomar devem entrar em contato com o IML e solicitar a exumação do cadáver.

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