O Instituto Médico-Legal (IML) de Cascavel sofre com a falta de verbas para manter seu funcionamento. A compra de equipamentos como bisturis e produtos de higiene e limpeza ficam condicionadas à boa vontade dos funcionários, que precisam tirar dinheiro do bolso. Se não bastasse a falta de dinheiro, o quadro de pessoal também é reduzido.
O diretor Rikía Himauari explica que o único auxiliar não consegue ter um único dia de folga desde janeiro, quando o outro auxiliar foi transferido. Falta dinheiro até para o conserto da geladeira onde ficam os cadáveres. ‘‘Já perdi a conta das vezes que precisei pagar o conserto do meu bolso. Da última vez, ficou quebrada durante uma semana.’’
No IML de Cascavel existem apenas três médicos-legistas, quando o mínimo deveria ser de cinco profissionais para atender todos os casos. Somente neste ano já foram atendidas mais de 2 mil ocorrências, a maioria de lesões corporais. O repasse para a manutenção do órgão que deveria ser mensal leva de três a quatro meses para chegar. Há quinze dias, durante a posse do novo delegado de Cascavel, o diretor-geral da Polícia Civil Leonyl Ribeiro disse a Himauari que estudaria o caso e tentaria encontrar soluções.
O chefe do IML de Londrina, Antônio Carlos de Queiroz, esteve ontem com o secretário de Segurança Pública, José Tavares, para pedir soluções para a crise no órgão. As reivindicações foram para os departamentos de análises toxicológicas, psiquatria forense, exames patológicos, peritos em indivíduos e mais pessoal administrativo. Na próxima semana, o diretor estadual do órgão, Wagner Luis do Nascimento, deverá estar na cidade para verificar a situação.
Já em Campo Mourão, o IML vai ficar sem médico-legista a partir de dezembro. É que o único médico que trabalha no órgão, Miguel Sanders, vai entrar em férias. Um outro legista deixou de trabalhar no local porque o salário era pago por duas funerárias de Campo Mourão que suspenderam o pagamento alegando falta de retorno financeiro.
O delegado-chefe da 16ª Subdivisão Policial, Roberval Butaccini, disse que os casos mais simples, como lesões corporais, poderão ser atendidos por um médico designado, mas os casos envolvendo mortes deverão ser encaminhados para outras cidades. Há uma promessa da Secretaria de Estado da Segurança Pública de contratar um segundo médico-legista para Campo Mourão.

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