IML exuma corpos do caso da Syngenta
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de novembro de 2007
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A exumação dos corpos do líder dos sem-terras, Valmir Mota de Oliveira, conhecido como Keno, e do segurança Fábio Ferreira de Souza, da empresa NF Segurança, mortos durante um confronto entre os sem-terra e os seguranças da NF, no dia 21 de outubro, na fazenda da Syngenta, foi realizada ontem no Instituto Médico Legal (IML) de Cascavel.
O delegado chefe do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), responsável pela investigação, Miguel Stadler, disse que o trabalho começou por volta das 10h30 de ontem e deveria se estender até o meio da tarde. A exumação foi conduzida por peritos do IML de Curitiba. Segundo informações do IML, o laudo da exumação poderá levar 30 dias para ser concluído, caso seja requisitado algum exame de vínculo genético.
O pedido de exumação partiu do Ministério Público (MP). Segundo Stadler, o exame vai auxiliar nas investigações e instruir o inquérito policial. ''Este exame é necessário para termos resultados de todos os meios necessários, para serem colocados à disposição da polícia judiciária'', disse.
A ordem judicial da exumação foi encaminhada para a Secretaria da Segurança Pública do Paraná, na última terça-feira, pela 1 Vara Criminal de Cascavel, a pedido do MP. ''Buscamos a verdade dos fatos, a autoria destas ações que resultaram nestas mortes, para poder levar ao MP o inquérito policial devidamente instruído, para se ter elementos para uma futura condenação'', afirmou ele.
De acordo com informações do médico legista do IML de Curitiba, Alexandre Gebran, além dele, mais um legista e uma auxiliar de necrópsia participariam da exumação. Segundo ele, ''os laudos de necrópsia, que foram realizados nos corpos antes de serem enterrados, estão perfeitos, dentro dos padrões técnicos do IML''.
O confronto que resultou nas mortes e deixou vários feridos ocorreu após a invasão, por cerca de 150 militantes do movimento sem-terra Via Campesina, da fazenda experimental da multinacional Syngenta, em Santa Tereza do Oeste (24 km ao sul de Cascavel). A área havia sido desocupada há cerca de três meses. Sete seguranças foram presos.


