IML exuma corpo para investigar morte
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terça-feira, 27 de novembro de 2001
Andréa Lombardo<br> Enviada a Paranaguá 
Legistas do Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba acompanharam ontem a exumação do corpo do estivador Osmar Vicente dos Santos, 43 anos, que está enterrado no Cemitério São Benedito, em Paranaguá, no Litoral do Estado. A exumação foi feita a pedido da Polícia Federal, que está investigando as circunstâncias da morte de Santos por conta de denúncia de sua mulher, Tânia da Silva, de que ele teria sido vítima de espancamento pelos próprios policiais federais que o detiveram no último dia 24 de setembro. O estivador morreu 15 dias depois e o laudo da necrópsia apontou como causa mortis hemorragia intracraniana provocada por lesão subdural. O Ministério Público Federal também está acompanhando as investigações.
O cadáver de Osmar Santos já estava em adiantado estado de decomposição, o que tornou impossível identificar se ele apresentava sinais de espancamento pelo corpo. Nelson Castro Júnior, médico do IML, disse que colheu material -parte da massa encefálica- para exames anatomopatológicos. Ele garantiu que a partir dessas análises é possível confirmar se havia lesões no cérebro. O laudo do IML deve ser concluído ainda esta semana.
Para o promotor do Ministério Público Federal, Elton Venturi, que assistiu a exumação, Castro revelou que o crânio estava intacto -não havia fraturas-, mas o cérebro apresentava manchas avermelhadas que, em princípio, confirmam a causa da morte apontada no laudo da necrópsia. No entanto, os legistas relataram que qualquer pancada acidental na cabeça, como num tombo, poderia provocar a lesão cerebral.
''Nosso primeiro trabalho será o de eliminar a hipótese de acidente'', afirmou Venturi. Dos depoimentos tomados até agora, segundo ele, não há qualquer evidência de que as lesões tenham sido acidentais. A mulher de Osmar Santos, principal testemunha de acusação até agora, conforme informou o promotor, negou que o estivador tenha sofrido um acidente. Ela garante que foi agredido pelos policiais federais que o prenderam. ''É a palavra da viúva contra a dos agentes (federais), que negaram qualquer violência contra o estivador'', declarou Venturi.
A maior dificuldade nas investigações, contou Venturi, é ter que trabalhar com hipóteses, uma vez que não existem provas concretas. No hospital onde Osmar Santos foi internado já em coma -a Santa Casa de Misericórdia de Paranguá- não há fotografias ou sequer uma radiografia da cabeça do estivador. O Ministério Público, disse Venturi, também deverá investigar o atendimento prestado na Santa Casa.
O superintendente em exercício da Polícia Federal no Paraná, Ademir Gonçalves, disse que o inquérito policial deverá ser concluído em 15 dias. Caso seja confirmado o envolvimento de algum policial, ele será indiciado criminalmente e irá a julgamento e responderá a processo administrativo, que pode resultar em demissão. Do contrário, o inquérito vai para Justiça, que poderá determinar o arquivamento. Segundo ele, é a primeira vez que há registro de uma denúncia dessa natureza no Paraná.


