Curitiba - Os funcionários do Instituto Médico Legal (IML) do Paraná e do Instituto de Criminalística (IC) entram em greve a partir da zero hora de segunda-feira. A decisão foi tomada ontem em assembléia da categoria. Em todo o Estado são aproximadamente 280 funcionários, que integram a Polícia Científica do Paraná. A greve tem como objetivo conseguir do governo estadual tratamento igual ao dispensado aos delegados da Polícia Civil e aos oficiais superiores da Polícia Militar.
A Polícia Científica é formada por médicos legistas, peritos criminais, químicos legais e toxicologistas. Para todos eles, o salário inicial é de aproximadamente R$ 1,2 mil. ''Os delegados da Polícia Civil iniciam a carreira ganhando mais de R$ 6 mil e o salário dos coronéis da PM passa de R$ 7 mil'', disse o presidente da Associação de Criminalística, José Ricardo Fiedler. É esse tratamento igualitário que eles pretendem conseguir do governo.
Fiedler afirmou que a partir de segunda-feira nenhum necrotério estará funcionando no Estado. Mas lembrou que o governo ainda tem tempo hoje de evitar que isso aconteça. Além da suspensão do trabalho nos necrotérios, os laudos de criminalística também deixarão de ser feitos a partir de segunda. E sem os laudos, é impossível concluir um inquérito sério. ''Sem o nosso laudo, não há como provar que houve um crime. Portanto, a partir de segunda-feira os crimes cometidos no Paraná não existirão oficialmente'', diz o presidente.
Em todo o Estado são 18 seções de IML, nove de Criminalística. Além de melhoriais salariais, os funcionários reclamam da falta de pessoal para fazer o serviço. ''Eu entrei na carreira de perito criminal há 27 anos e até hoje o número de funcionários é o mesmo. Já a criminalidade aumentou consideravelmente'', compara Fiedler.

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