Lúcio Horta
De Londrina
A demora na liberação de um corpo provocou desentendimento entre o Instituto Médico Legal (IML) de Londrina e a Administração de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf). Maria Heloisa de Oliveira, 3 anos de idade, morreu na tarde do dia 25 de dezembro, no Distrito de Irerê, depois de passar mal e ser medicada com Dipirona. Aparentemente, ela teria se afogada com o próprio vômito.
A garota ainda foi encaminhada para o Hospital da Zona Sul (HZS) de Londrina, onde chegou em óbito. Por volta das 15 horas, o corpo dela foi conduzido até o IML e até às 22 horas ainda não tinha sido liberado para o velório. A demora causou revolta na família que, sem saber o que fazer, teria recorrido ao vereador Célio Guergoletto (PMDB).
‘‘Me ligaram às 22h30 informando que uma criança tinha morrido com insuficiência respiratório e estava no IML desde às 15 horas. Lá, me informaram que o serviço de verificação de óbito (necropsia), no caso de morte não violenta, seria de responsabilidade da Acesf. Aí arrumei um médico, liguei para a Acesf e o corpo acabou sendo liberado no começo da madrugada. Mas minha indignação é que, se a mulher não me liga, o corpo ia amanhecer lᒒ, disse ontem o vereador.
O perito químico Ademar Consalter, que responde interinamente pela chefia do IML local, confirmou ontem que no caso de morte não violenta a responsabilidade pela verificação de óbito é da Acesf ou de algum órgão da prefeitura, e não do IML. ‘‘Só fazemos exame em caso de morte violenta ou suspeita de violência. Mas não era esse o caso, era morte natural. O médico que estava de plantão chamou outros dois especialistas e a conclusão era de que era morte natural’’, disse.
Ainda segundo Consalter, a Acesf foi contatada ‘‘de oito a dez vezes’’ pelo IML, para que fosse examinar o corpo da menina, mas não houve resposta. ‘‘Inclusive o médico (do IML) foi maltratado. O rapaz da Acesf, que não sabemos quem é, foi sarcástico, cínico e mal educado. A Acesf fez pouco caso nesse episódio e deixou a desejar’’, afirmou. O perito destacou que a própria Acesf teria concordado que o caso era realmente dela, já que posteriormente atendeu a ocorrência.
Gustavo Santos, superintendente da Acesf, rebateu as críticas. ‘‘Se o corpo foi para o IML, é porque provavelmente havia ou morte violenta ou que (a vítima) ingeriu alguma coisa que não provocasse morte natural’’, considerou. ‘‘E quem libera o corpo do IML é o próprio IML, não a Acesf. Quem tem médico legista é o IML e é ele quem poderia ter liberado o corpo para que um médico particular fizesse o atestado.’
Santos disse também ‘‘estranhar’’ que o problema só tenha se resolvido com a interferência de um vereador. ‘‘Nosso funcionário pode ter errado, cometido algum equívoco, mas vocês da imprensa sabem qual o conceito que a Acesf e qual o conceito que tem o IML em relação a esse tipo de atendimento. E outra: ao médico do IML, cabe cumprir sua responsabilidade enquanto médico, e não emitir juízo a respeito de terceiros’’, criticou. Ele acrescentou que a Acesf não é órgão médico e que atende após o laudo – que atesta o óbito –, não antes.
Segundo informações da Acesf, o corpo de Maria Heloisa chegou ao órgão às 22h40 e foi liberado às 0h40 do dia seguinte. O tempo teria sido necessário porque a Regional de Saúde pediu que fosse retirado um líquido da espinha do corpo da garota. O motivo seria evitar contágio em caso de possível doença infecciosa.

mockup