IML diz que é o bode expiatório dos laudos
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quarta-feira, 22 de abril de 1998
Benê Bianchi 
Arquivo FolhaRéplicaAntonio Carlos de Queiroz, do IML: Cobranças são indevidas O Instituto Médico Legal de Londrina (IML) está realizando um levantamento sobre o número de cobranças de laudos periciais. O diretor do órgão, Antonio Carlos de Queiroz, diz que as cobranças são indevidas. Segundo ele, as delegacias sempre solicitam o encaminhamento de laudos que já foram entregues. Isso ocasiona um desperdício de tempo e pessoal deste instituto. Nossos limitados recursos são desviados para a busca desnecessária dos documentos e para responder a inúmeros ofícios, diz Queiroz.
A informação sobre o levantamento foi divulgada depois que a Folha publicou, na semana passada, uma reportagem sobre inquéritos de acidentes que ficam emperrados na Delegacia de Trânsito. Entre as causas do problema, citadas pelo delegado responsável, Valter Lemos, está a demora no encaminhamento de laudos pelo IML.
Queiroz rebate algumas informações do delegado Lemos e afirma que muitos laudos citados por ele e publicados na matéria já foram entregues, como os que envolveram as mortes de Marcele Ribeiros dos Santos (atropelada num ponto de ônibus da Avenida Winston Churchill), Leonardo André Lopes (morte em acidente cujo carro era dirigido por um menor), Zeny Bueno de Camargo (morte em acidente de moto, na Rua Serra da Graciosa, zona oeste), Maria Aparecida Bonim e Serafiam Figueira Baião (mortos em acidente envolvendo ônibus da Francovig e caminhão de cal, na PR-445), Claudemar DArc das Dores (atropelado em frente sua casa, na Favela do Quati, zona norte) e Luciana Reis da Silva (atropelada na Rua Eurico Gaspar Dutra, na zona sul) .
O IML vem sendo bode expiatório para o atraso de inquéritos. É claro que temos laudos atrasados, mas muitas vezes as cobranças são indevidas, reclama Queiroz. Ele diz estar fazendo grande esforço para evitar atrasos e que o IML vem buscando alternativas para que não ocorram mais problemas.
Um exemplo é o convênio que fizemos com funerárias da região, que nos repassam recursos mensalmente. O dinheiro é recolhido pelo Conselho de Segurança e usado para despesas de manutenção do IML e também para o pagamento de funcionário que faz o trabalho administrativo, afirma Queiroz. Segundo o diretor do IML, no setor administrativo há apenas um funcionário pago pelo governo - e ele se aposenta no mês que vem.
De acordo com relatório do IML, alguns laudos foram retirados pelos próprios funcionários da Delegacia de Trânsito e outros por funcionários de outras delegacias. As requisições de exames expedidas pelos delegados não indicam para onde devem ser encaminhados os documentos periciais.
O delegado Valter Lemos reafirma que os inquéritos citados por ele continuam aguardando laudos do IML. Não me interessa se os exames foram ou não retirados. O que me interessa é que eles não chegaram até mim. O delegado observa que em alguns inquéritos chegaram os laudos das vítimas fatais, mas faltam os laudos das demais pessoas envolvidas nos acidentes.
Lemos diz que já encaminhou um relatório para a chefia da 10ª Subdivisão Policial informando sobre quantos inquéritos estão aguardando laudos do IML e do Instituto de Criminalística. Na minha delegacia sei exatamente quantos inquéritos estão em tramitação e o que falta para cada um ser concluído, afirma.
O delegado-chefe da 10ª SDP, Wanderci Corral Fernandes, prefere não revelar o teor do relatório do delegado de trânsito. São informações internas da delegacia, alega. Ele afirma que irá verificar porque os laudos estão demorando para chegar à delegacia responsável pelos inquéritos. Quando os laudos vão para outras delegacias, os próprios delegados se encarregam de reencaminhá-los para o destino correto.


