Arquivo FolhaDúvidasOlavo Godoy: para polícia, há pontos obscuros sobre a morte do pioneiro que precisam ser esclarecidos O laudo dos exames das vísceras do pioneiro e fazendeiro Olavo Godoy, 84 anos, chegou de Curitiba na última terça-feira e consta que ele morreu de síncope cardíaca (colapso circulatório). Com este resultado, apurado pelo Instituto Médico Legal (IML) da capital, está descartada a hipótese de que o pioneiro tenha sido intoxicado por remédios, conforme denúncias feitas à polícia. Olavo Godoy morreu no dia 22 de dezembro do ano passado e, para a polícia, ainda há pontos obscuros sobre sua morte. Antes de ser levado da fazenda Santa Helena para o Hospital Evangélico, o pioneiro foi encontrado caído sobre uma poça de sangue ao lado de sua cama.
Na próxima semana, o Instituto de Criminalística de Londrina fará a reconstituição da queda, que possivelmente teria motivado os ferimentos encontrados na cabeça e rosto do pioneiro. Segundo o perito criminal, Geraldo Gonçalves Filho, a reconstituição vai ajudar a polícia a descobrir como o pioneiro caiu da cama. Existem versões contraditórias de testemunhas a respeito de como ocorreu a queda.
Tanto a reconstituição como os exames foram solicitados pelo delegado do 6º Distrito Policial (DP), Edson Casagrande, que está de férias. O perito Geraldo Gonçalves Filho disse que para a reconstiuição será usada computação gráfica. ‘‘Faremos filmagens e fotografaremos todo o quarto onde o pioneiro foi encontrado caído. A partir das filmagens e fotos, usaremos todos os recursos do computador’’. Ontem à tarde ele estava relendo os depoimentos das testemunhas e evidenciou que realmente existem contradições entre eles. Geraldo Filho garante que será possível precisar se o pioneiro se feriu na queda ou foi ferido na cama e depois colocado no chão.

Arquivo FolhaExames foram solicitados pelo delegado Edson Casagrande (foto)A empregada da fazenda Rosana Aparecida Martins deu dois depoimentos diferentes ao delegado Casagrande a respeito da morte de Olavo Godoy. No primeiro, ela contou que o pioneiro teria caído quando foi deixado sozinho no quarto. Segundo Rosana Aparecida, este depoimento teria sido dado sob pressão de Josyê Godoy, que administra há mais de dois meses o patrimônio de Olavo Godoy. Josyê é casada com Álvaro Lázaro Godoy, sobrinho do pioneiro. Ela está indiciada em inquérito policial, acusada de maus-tratos ao pioneiro, constragimento ilegal e omissão de socorro aos empregados da fazenda Santa Helena. No 6º DP existe também um inquérito policial que apura denúncias de que ela mantia o pioneiro dopado.
Rosana Aparecida, em seu segundo depoimento, contou que recebeu ameaças de morte por parte de Josyê Godoy, para confirmar o que havia dito no primeiro depoimento. A empregada contou que era mantida presa na fazenda. Depois conseguiu fugir com o marido e a filha e resoloveu contar a verdade. Segundo Rosana, ela e a enfermeira de Olavo Godoy, Nancy Alves Takaoka, estavam fora do quarto e, ao retornaram, encontraram ele se contorcendo no chão, junto a uma poça de sangue.
Rosana também afirmou que chamou Josyê Godoy e que ela não permitiu que o pioneiro fosse levado imediatamente ao hospital. A queda teria ocorrido por volta das 9 horas da manhã e somente às 15 horas ele teria sido levado para o Hospital Evangélico. Rosana Aparecida também contou na polícia que os lençóis e a fronha da cama estavam sujos de sangue e que ela e a enfermeira foram abrigadas pela sobrinha a dar banho no pioneiro para limpar-lhe o sangue.

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