O chefe do Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina, Ademar Consalter, confessa que necessita aprender a trabalhar com o computador. Aos 54 anos, Consalter, que iniciou a carreira de perito em fevereiro de 1979, precisa da ajuda dos funcionários para acessar os arquivos digitais que, desde julho do ano passado, fazem parte do dia-a-dia. É tempo de modernização e digitalização do trabalho do IML. Modernização que tem feito com que a falta de um dos mais conhecidos aparelhos relacionados à perícia legal, a câmara fria, tenha impacto pequeno dentro do cotidiano do instituto.
A geladeira, desmontada com a transferência do IML para a nova sede, está sendo reformada em Curitiba. Segundo Consalter, a parte inferior da câmara acabou apodrecendo graças a vazamentos. ''Seria ilógico desmontá-la e levá-la para a nova sede sem fazer os reparos necessários, que são poucos'', justifica. A previsão é de ela esteja novamente em funcionamento em meados de fevereiro.
O perito garante que, com a digitalização de fotos, laudos e demais tipos de provas, a geladeira não tem grande utilização dentro da perícia. ''Fica estranho um IML não ter câmara fria, é uma tradição, mas eu imagino que, quando ela estiver aí, ficará a maior parte do tempo desligada'', diz. Reconhecimentos e investigações são feitas agora através de fotos digitais detalhadas do corpo da vítima, sem necessidade da presença do cadáver.
A iniciativa da reforma da geladeira foi da direção estadual do IML, mas não é a principal preocupação do perito. Ele agora vai lutar para garantir a recontratação dos funcionários comissionados da seção médico-legal de Londrina. Todos os servidores estaduais em cargos de confiança foram desligados pelo novo governo.
No IML de Londrina, são cinco médicos legistas, duas psicólogas, sete assistentes administrativos, auxiliares de necropsia e assistentes de laboratórios, e um toxicologista. Ou 15 dos 33 funcionários do local. Consalter diz que a produção da perícia, que tem dado conta do serviço que recebe, poderá ser bastante prejudicada. ''Não quero nem imaginar uma situação dessas'', declara.
Além da ausência da câmara fria, a nova instalação tem problemas de aclimatização e de iluminação. O calor é intenso, e faltam janelas para a circulação de ar. Os problemas deverão ser resolvidos a partir da semana que vem, com o início dos trabalhos de colocação de janelas corrediças, dos circuladores de teto e do forro. ''Quase tudo já está adquirido, só falta a instalação'', ressalta Consalter.

mockup