IML de Londrina cancela convênios
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sexta-feira, 17 de julho de 1998
Alexandre Sanches 
O chefe do Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina, Antônio Carlos de Queiroz, informou que está cancelado o convênio entre o órgão, funerárias da região, Conselho Municipal de Segurança e Secretaria de Estado de Segurança Pública. O convênio garantia o repasse, pelas funerárias, de uma contribuição para manter os serviços do IML. A decisão, tomada no final de junho, deve pôr um fim à polêmica criada pelas funerárias que acusam o instituto de cobrar indevidamente R$ 100,00 para liberar cada cadáver.
Desde que foi firmado o convênio, no início do ano, funerárias da região têm reclamado da cobrança da taxa, mesmo tendo assumido o compromisso de repassar uma quantia para a manutenção do IML. Segundo Antônio Queiroz, algumas funerárias da região estavam repassando a taxa de R$ 100,00 para as famílias dos mortos.
No início eles pagariam um valor mensal, de acordo com o tamanho da funerária. Foram eles que pediram para mudar o convênio, estabelecendo a cobrança por corpo retirado do IML, explicou. O acordo estabelecia que os R$ 100,00 seriam repassados voluntariamente ao Conselho Municipal de Segurança e que este dinheiro seria liberado de acordo com a solicitação do Instituto. Entre as atribuições do IML, estava acertada a elaboração de uma escala de serviço com todas as funerárias da região, montada por Queiroz, disciplinando o atendimento. No entanto, algumas funerárias foram suspensas por cobrar indevidamente das famílias a taxa devida ao IML.
O proprietário da funerária São Sebastião, Valdemir Ferreira Gonçalves, de Jaguapitã, foi suspenso da escala de plantão por esta cobrança indevida. Ele afirma que houve perseguição, favorecendo o proprietário de uma funerária da região. Como eu não paguei esta taxa, o plantão passou a ser de Porecatu. Gostaria de saber qual a função do chefe do IML e se ele tem o direito de suspender o nosso serviço por não concordarmos com a cobrança para liberação de corpos?, questionou. No início nos propusemos a ajudar na manutenção dos serviços do IML. Só que eu nunca vi onde eles aplicaram este dinheiro, disse.
Queiroz afirmou que algumas funerárias da região querem tumultuar o serviço por não trabalhar com ética. Eles não pagaram porque são bonzinhos, mas porque ganham dinheiro com o IML. Em caso de acidente, alguns deles administram o seguro obrigatório, que chega a R$ 5 mil. Como nós temos um prazo para liberar os laudos e não estamos mais aceitando repassar para as funerárias, há o protesto de alguns deles, acusou.
Inquéritos judiciais foram abertos para investigar as denúncias contra o IML de Londrina. As funerárias da região afirmam que estão impedidas, a pedido da promotoria, de comentar sobre o caso.


