IML contesta dados de suicídio
Em Curitiba, segundo o
IML, acontecem de dois
a três suicídios por mês.
Apenas um de jovem
Israel Reinstein
O diretor do Instituto Médico Legal de Curitiba, Francisco Moraes Silva, considera como ‘‘um chute’’ os dados apresentados pela Fundação Oswaldo Cruz, que aponta Curitiba como a segunda capital em número de suicídios juvenis, ficando atrás apenas de Porto Alegre. Segundo a Fiocruz, a cada 100 mil jovens, entre 15 a 24 anos, 7,29 se suicidaram no período de 1979 a 1995. ‘‘As estatísticas apresentadas são furadas porque apontam a urbanização e a violência como a principal causa da morte de jovens’’, avalia.
Para o diretor do IML, os dados apresentados pela Fiocruz são imprecisos, porque pegaram um período muito curto para levantamento. ‘‘O cruzamento desses dados devem levar também em conta o comportamento social do momento’’, diz. Dados do IML indicam que acontecem entre dois a três suicídios em Curitiba por mês. Desses, um está na faixa entre 15 a 24 anos. ‘‘Em março, foram seis casos na Região Metropolitana, três deles em Curitiba. Apenas um dos casos era de uma jovem’’, afirma.
Francisco Silva entende que os fatores que levam o jovem a se matar vão além da urbanização e da violência, pesando também outros itens, como o desemprego e a simples depressão do adolescente. ‘‘Impunidade, distribuição de renda, entre outros indicativos nacionais, também pode sugestionar uma pessoa’’, afirma. Recentemente, uma jovem teria se suicidado por causa do rompimento do noivado.
Pela pesquisa da Fiocruz, o número de suicídios é maior nas cidades mais desenvolvidas, sendo superior aos de homicídios. Atrás de Curitiba estão Belém (6,70), Recife (6,33), São Paulo (5,77) e Belo Horizonte (5,57).
Para o diretor do IML, é preciso que haja políticas que evitem este tipo de situação. ‘‘A pressão do dia-a-dia também pesa sobre as pessoas, podendo ter uma dimensão maoir entre os jovens’’, finaliza.

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