Porecatu – A ossada encontrada semana passada no quintal da residência da trabalhadora rural Maria das Dores da Silva, 24 anos, em Lupionópolis (105 km ao norte de Londrina) é de um bebê recém-nascido. Os ossos foram analisados pessoalmente pelo diretor do Instituto Médico Legal (IML), Rogério Eisele, que comprovou se tratar de uma criança, com idade e sexo imprecisos. Maria das Dores confessou ao delegado da Polícia Civil, Manoel Pelisson, de Centenário do Sul (95 km ao norte de Londrina), que matou cinco filhos recém-nascidos, de 1994 até 2001.
Ao delegado Pelisson, Maria das Dores afirmou que teve o último bebê em novembro de 2001. Segundo o depoimento, depois do parto ela teria colocado um saco plástico na cabeça da criança e amarrou um cordão em volta do pescoço. Em seguida, relatou Pelisson, foi até ao quintal, abriu uma cova e enterrou o filho. Na cadeia de Porecatu, onde Maria das Dores está presa desde o início do mês, acusada de ter matado a pauladas o namorado Manoel Hipólito dos Santos, ela confessou os infanticídios. Dois filhos teriam sido mortos em 1994 e 1995, em Matão (SP). Outros três nasceram em Lupionópolis e foram mortos, segundo o depoimento, na mesma cidade.
Maria das Dores disse que corpo de uma criança jogado no lixão de Lupionópolis, em 1999, também era seu filho. Anteontem, ela foi levada por policiais a um cafezal próximo da cidade para apontar o local onde teria enterrado o filho nascido em 1998. No local, depois de quatro anos, existe hoje uma plantação de mandioca, o que dificultou a busca. Segundo o diretor do IML de Londrina, é quase impossível ossadas de recém-nascido se conservarem por muito tempo. Amostras de DNA dos ossos achados no quintal da casa de Maria das Dores serão colhidas para exames posteriores.
A trabalhadora rural, que tem dois filhos vivos, com 10 e oito anos, disse à Folha que matava os bebês porque sentia uma angústia inexplicável depois dos partos. A mãe dela e o irmão disseram que as pessoas em Lupionópolis perguntavam sobre as gestações de Maria das Dores, que a família desconhecia. Aos familiares ela dizia que tinha cisto e anemia. O corpo do namorado dela foi encontrado em uma fossa no quintal da casa dela, do lado oposto onde foi achada a ossada do bebê. Na cadeia, ela se recusa a se submeter a exame para detectar se a suspeita de gravidez procede.
O delegado Pelisson deve ouvir familiares da acusada ainda esta semana e concluir o inquérito, que será encaminhado ao Fórum de Centenário do Sul. A Justiça deve solicitar teste de sanidade mental.

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