IML com falta de pessoal recebeu 495 corpos em 97
Um Instituto Médico-Legal (IML) com deficiências, principalmente em relação a pessoal, realizou no ano passado autópsia nos corpos de 495 vítimas de mortes violentas em Foz do Iguaçu, entre elas os 205 mortos por homicídio. O número total de procedimentos, que vão desde exames de sanidade física até exumações, chegou a 3.284.
O órgão tem apenas sete funcionários: dois médicos, dois auxiliares de necrópsia, dois auxiliares administrativos e um motorista. O ideal, na avaliação do diretor, Jomar Giostri, seria o dobro desse número: três médicos, quatro auxiliares de necrópsia, três auxiliares administrativos e quatro motoristas.
Além de funcionários, muitas vezes falta combustível para abastecer os três carros que transportam cadáveres e até dinheiro para trocar lâmpadas queimadas na sala de autópsia e aparelhos de telefone com defeito. Fizemos inúmeras gestões junto ao governo do Estado, mas os recursos são escassos.
Mesmo assim, ele garante que as deficiências do IML nunca chegaram a provocar um acúmulo de cadáveres à espera de autópsia nas seis geladeiras do órgão. Giostri diz que os corpos são liberados num prazo entre 6 horas e 12 horas. Só ficam mais tempo - por no máximo 15 dias - os corpos não-identificados.
Pelo menos uma melhoria está prevista para o IML ainda no primeiro semestre. Entre março e abril, será instalado no órgão o Serviço de Mortes com Antecedentes Patológicos (SMAP), encarregado de fazer necrópsias também em casos de mortes não-violentas. Hoje esse serviço é restrito a mortes violentas.
No Paraná, apenas os IMLs de Curitiba e Londrina possuem essa estrutura. Mesmo recebendo dois novos médicos legistas, a instalação do SMAP não vai suprir as deficiências do IML de Foz do Iguaçu.





