IMIN 100 - Cristianismo ganha espaço entre nikkeis
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Paula Costa Bonini<br>Especial para FOLHA 
Um dos legados dos imigrantes japoneses no Brasil é a religião. Pelas mãos dos japoneses foram introduzidos as igrejas budista e messiânica, a Perfect Liberty e a filosofia Seicho-No-Iê. Estima-se que juntas elas tenham mais de 2 milhões de seguidores no país, e quase 9 mil em Londrina. Na contramão da expansão das religiões orientais em terras tupiniquins, hoje, muitos nipo-brasileiros abandonaram as crenças dos antepassados e optaram por uma predominantemente brasileira: o cristianismo.
Nascida no Japão e radicada no Brasil há 36 anos, irmã Maria Teresia, freira da Comunidade das Irmãs de Schoenstatt, de Londrina, relata que sua família sofreu por seguir o catolicismo. Meus bisavós chegaram a ser perseguidos, lembra.
Ainda criança, em meados da década de 50, ela veio para o Rio Grande do Sul, com seus pais e quatro irmãos. Na opinião de irmã Maria Teresia, foi a Divina Providência que fez a família vir para o Brasil para que ela pudesse encontrar o Instituto Secular das Irmãs de Maria. Desde pequena sentia vontade de ser religiosa, revela.
Uma amostra da adesão dos nikkeis ao catolicismo pode ser conferida nas manhãs de domingo, na Paróquia Nipo-Brasileira da Imaculada Conceição, em que é celebrada uma missa na língua dos imigrantes. Antigamente ela era toda em japonês, mas atualmente a missa é bilíngüe, observa padre Lino Stahl. De descendência alemã, padre Lino morou 17 anos do Japão e há 26 anos se dedica a evangelizar os nikkeis. Fomos formando o japonês no cristianismo.
Os japoneses também marcam forte presença na Igreja Evangélica. O presidente do Conselho de Pastores de Londrina, pastor Joed Lamonica Crespo, explica que uma ramificação da Igreja Evangélica, a Holiness do Brasil, busca evangelizar principalmente os nipo-brasileiros, em cultos bilíngues.
O pastor salienta que quase todas as igrejas evangélicas contam com descendentes japoneses. É o caso de Wilson Dedin. Membro da colônia, ele é pastor e fundador da Comunidade Evangélica Deus Vivo. Meus avós maternos eram budistas no Japão. Já meus pais sempre foram católicos no Brasil. Mas no final da década de 80 nos convertemos à Igreja Evangélica, revela.


