Imigrante japonês doou área do Parque Yumê
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
Wilhan Santin<BR>Enviado a São Paulo 
Em São Paulo (SP), caminhando pelas ruas do Bairro da Liberdade, a reportagem da FOLHA encontrou um distinto senhor de ascendência oriental. Ele é Atushi Yamauti, 76 anos, o filho mais velho de Yasofussa Yamanouchi, o homem que doou o terreno onde será construído o Parque Yumê (sonho em japonês), em Rolândia.
Bom de conversa, Yamauti conta que seu pai adquiriu o terreno da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP) quando as perobas e as figueiras ainda predominavam sobre a terra vermelha da região. O imigrante havia conseguido juntar algum dinheiro depois de trabalhar durante quatro anos como colono no interior de São Paulo.
''O interessante do Paraná é que os japoneses já chegaram para trabalhar em terra própria. No início, meu pai sofeu muito. Ele contraiu uma doença regional durante a derrubada da mata. Teve que sobreviver um período dando aula de japonês para depois voltar a derrubar a mata. Durante muito tempo, moramos em uma maloca. Quando chovia, a família tinha que se esconder embaixo da mesa'', recorda.
Mais uma vez puxando pela memória, Yamauti relata que seu pai resolveu doar o terreno à Liga Desportiva Norte Paranaense porque não queria se desfazer das terras depois que os três filhos não demonstraram interesse em trabalhar na lavoura. Todos foram construir carreira na cidade grande. ''Ele fez a coisa certa ao doar. Sinto-me honrado pela atitude de meu pai'', finaliza Yamauti, que saiu de Rolândia para fazer sucesso na metrópole paulista trabalhando como engenheiro. Ele também se destacou entre a colônia, sendo presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo) de 1991 a 1999.
Expectativa
A comunidade japonesa está na história de Rolândia. Ainda antes da fundação, em 1933, o casal Yonessubaro e Ei Tagushi já havia se estabelecido na cidade com os os cinco filhos. Foi o primeiro núcleo familiar de Rolândia, que hoje tem 53 mil habitantes.
Às vésperas de receber o príncipe Naruhito, herdeiro do trono japonês, para comemorar pela quinta vez um Imin - o evento é realizado em Rolândia desde 1968 a cada 10 anos -, a cidade ganhará um parque em homenagem aos pioneiros nipônicos que tem o simples nome de Yumê.
O local que abrigará o parque (Imin Center) é o motivo para que a cidade se transforme em palco da festa oriental. ''Rolândia se torna a nossa casa porque temos um terreno de 15 alqueires que foi doado à nossa comunidade. Já se tornou uma tradição comemorarmos lá. Vários presidentes da república e o atual imperador do Japão já pisaram naquela terra, que consideramos sagrada'', explica Luiz Carlos Adati, coordenador do Imin 100 no Paraná.
Depois de inaugurar a Praça Tomi Nagakawa em Londrina, no dia 22 de junho, o príncipe Naruhito vai até Rolândia, onde fará o lançamento da pedra fundamental do parque. ''O momento mais esperado é o da oração de reverência aos antepassados que o príncipe vai fazer'', comenta Adati.
As atividades devem acontecer durante todo o dia. Na programação, danças folclóricas japonesa, portuguesa e alemã, taikô, bon odori, show acrobático da Pirâmide Humana, um coral com mais de mil vozes e a apresentação de uma banda de sopro e percussão com 500 pessoas.
A comissão organizadora promete um local bastante enfeitado, com motivos da cultura japonesa. Serão 150 tanabatas, 38 kusudamas, uma espécie de bola de papel, 11 mil origamis em forma de cata-vento, 18 leques coloridos, 220 mil sakuras, além de 50 mil bandeirinhas que serão entregues para o público em geral.


