‘‘Era madrugada de sexta-feira de Carnaval e eu ainda não havia conseguido dormir direito. Um dos meus filhos adolescentes, Maurício, pela primeira vez havia ido sem os pais a um baile noturno. Às 3h45 ouvi o barulho dele entrando pelo portão, depois de se despedir dos amigos. Virei do lado e dormi tranquila. Só depois fiquei sabendo que dois assaltantes, armados de revólveres, estavam esperando por ele no jardim da nossa casa.
‘‘Eles obrigaram meu filho a abrir a porta e entraram na sala. Amarraram as mãos de Maurício com arame e começaram a ameaçá-lo para que entregasse as jóias e dinheiro. Mandaram meu filho abrir a porta do meu quarto. Como ele estava com as mãos amarradas para trás, bateu com a cabeça na porta. Acordei assustada, com meu companheiro, vi na minha frente os assaltantes com lanternas e revólveres.
‘‘Eles passaram cerca de uma hora dentro de nossa casa, vasculhando cada cômodo e juntando tudo o que tinha algum valor. Levaram máquina fotográfica, máquina de escrever, relógios, algum dinheiro e poucas jóias e bijuterias. Ao final, levaram meu companheiro como refém no automóvel dele. Ele foi solto na Warta. O carro foi achado depois, por nós mesmos, no centro da Cidade.
‘‘Felizmente, os assaltantes não nos agrediram fisicamente. Até hoje, a polícia não os encontrou. Fiquei com trauma por mais de um ano. Tive muito pesadelo e acordava no meio da noite com taquicardia. Qualquer barulho de gato ou galho de árvore me deixava paralisada. Hoje ainda tenho medo, mas não é mais incontrolável. Mas a impressão era que toda noite eles voltariam.’’
Maria José de Oliveira, nome fictício de uma professora aposentada da UEL, que não quis dar o nome verdadeiro para não ser prejudicada na venda de sua casa. Resolveu mudar-se depois do assalto.

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