James Alberti
De Curitiba
A apresentação de fitas com as imagens da autópsia do corpo do menino identificado como Evandro Ramos Caetano, 7 anos, chocou ontem os jurados, advogados e as cerca de 20 pessoas que assistiam ao terceiro dia de julgamento dos três acusados do assassinato da criança. A dona de casa Maria Ramos Caetano, mãe de Evandro, não conseguiu assistar as imagens e deixou a sala do júri chorando. Evandro desapareceu no dia 6 de abril de 1992 e teria sido morto em um ritual de magia negra no dia seguinte, em Guaratuba, Litoral do Estado.
O advogado Edson Stadler, que trabalha como assistente de acusação, afirmou que as imagens foram exibidas para evitar dúvidas dos procedimentos adotados pelos legistas. ‘‘Nesse processo foi posto em dúvida e impugnado tudo que foi possível’’, disse. Stadler se refere ao primeiro julgamento, de Celina e Beatriz Abagge, acusadas de terem encomendado o homicídio para melhorar a situação financeira das empresas da família. Dos sete acusados, as duas foram as únicas a ser julgadas até agora e foram absolvidas.
Para o advogado de defesa, Álvaro Borges Júnior, a apresentação das fitas é uma extratégia para sensibilizar o júri. Se era esse o objetivo, ele foi atingido em cheio. O próprio advogado de defesa confessou ter ficado impressionado com a apresentação.
Borges afirmou, no entanto, que irá demonstrar que as imagens que constam nas fitas não são do corpo de Evandro. O advogado defende a tese, vitoriosa no primeiro julgamento, de que o corpo encontrado não é o de Evandro. ‘‘Se eles têm certeza que o corpo é de Evandro porque mostrar as fitas?’’, questionou.
O funcionário público Ademir Batista Caetano, pai do menino desaparecido, não tem dúvida que o corpo encontrado é o do filho. Caetano identificou a criança, assim como outros familiares. ‘‘Desde o primeiro dia, eu vi que era ele. Além disso, a dentista comprovou que era ele e o DNA também’’, disse.
Ontem, foram lidos os depoimentos dos peritos que identificaram o corpo da criança encontrada como sendo o de Evandro. Os advogados acreditam que a leitura dos autos deve durar até segunda ou terça-feira. O julgamento segue normalmente neste final de semana. Se o ritmo dos primeiros dias for mantido, na terça-feria devem começar a ser ouvidas as testemunhas. São 15 testemunhas de acusação e 24 de defesa.

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