Imagem de santa 'chora' e atrai devotos
Desde o final de dezembro do ano passado, a residência da dona de casa Marilisa Vera Martins, 44 anos, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, não pára de receber gente. São pessoas curiosas em testemunhar as lágrimas derramadas por uma imagem da Virgem Maria. São lágrimas polêmicas que despertam controvérsia até mesmo em integrantes da Igreja Católica.
Não é um fenômemo sobrenatural. As lágrimas são algo natural, afirma o vigário da paróquia Nossa Senhora do Monte Claro, padre André Piasecki. Apesar de manter uma convivência pacífica com os evangélicos do bairro Guatupê II, na periferia de São José dos Pinhais, Marilisa diz que as lágrimas que a imagem solta já causaram comentários fervorosos também entre os integrantes de outras religiões da localidade. Me dou bem com todos, mas as pessoas que não acreditam devem vir até aqui para ver, convida.
A imagem da Virgem Maria pertence ao enfermeiro catarinense Eduardo Ferreira, que mora com a família de Marilisa há três anos. Eles se conheceram durante peregrinações em Ponta Grossa e decidiram levar as mensagens da Mãe de Jesus Cristo, que Eduardo diz receber há 11 anos. As lágrimas e óleos que vertem dos olhos da imagem, segundo a dona de casa, seriam sinais manifestados pela Santa contra a desagregação familiar, abortos e o abandono da confissão. Uma imagem de Cristo crucificado colocada ao lado da estátua de Maria também soltaria uma espécie de óleo através dos ferimentos causados durante a crucificação.
Para receber curiosos e fiéis que se dirigem a sua casa todos os dias, Marilisa improvisou um centro de orações onde era antes a sala de visitas de sua modesta casa de madeira. Não faltam fotografias de Jesus Cristo e da Virgem Maria espalhadas pela parede. Uma mesa foi transformada em altar para receber a imagem da Santa. Toda a devoção criada na casa de Marilisa não impressiona o padre André Piasecki. A Ciência já comprovou que isso não é fenômemo nenhum, declara o religioso.
O padre, que também é o vigário responsável na região do Guatupê II, não acredita que as lágrimas possam ser algo sobrenatural. Nós temos a Nossa Senhora que não chora e que é muito mais agradável, diz, em tom de ironia. André Piasecki antecipou que não permitirá qualquer manifestação em relação a imagem da Santa dentro de sua igreja.
Piasecki acha estranho que quem está propagando os sinais não tenha oficilizado um comunicado ao chefe da Igreja Católica da região, o Arcebispo Metropolitano de Curitiba, Dom Pedro Fedalto. Enquanto fé, desconfianças e ceticismo norteiam as manifestações atribuídas à imagem, Marilisa Martins e seus vizinhos aguardam para as próximas semanas que a imagem da Virgem Maria comece a chorar sangue, aumentando a devoção destes fiéis e desagradando ainda mais os representantes da Igreja Católica.





