A divulgação da foto de um casamento realizado em dezembro passado, onde aparece o pai do noivo, Olimpio José Rodrigues, morto há cinco anos, divide opiniões em Nova Esperança (35 quilômetros a noroeste de Maringá). Um dos filhos de Olimpio, Celso José Rodrigues, que mora na cidade, procurou a Folha para mostrar a foto. ‘‘Desde que saiu a reportagem (no sábado passado, 30 de janeiro), muita gente tem me procurado para ver a foto de perto’’, diz Celso.
A reportagem da Folha chamou a atenção também de conhecidos da família em outras cidades. Celso tem 13 irmãos, que moram em vários municípios do Paraná e de São Paulo. ‘‘Todo mundo que o conhecia e vem aqui ver a foto fica impressionado’’, revela a mulher de Olimpio, Aparecida Silvério Rodrigues. Outros filhos do casal, que moram em Curitiba, contam a mesma coisa. ‘‘Quem conhecia meu pai não tem dúvidas que é ele na foto’’, garante outro filho dele, José Marcos Rodrigues, que é vendedor em Curitiba.
Marcos NegriniFé na imagemA benzedeira dona Maria: ‘‘Acredito na força do espírito’’Mas o caso ganhou as ruas em Nova Esperança, de onde surgiu a notícia, já que os negativos estavam todos com Celso. Na praça central da cidade, onde se reúnem aposentados e vendedores ambulantes, o assunto rende muita discussão. ‘‘Acredito na foto e já vi muitos casos parecidos na televisão’’, diz o aposentado Roberto Siqueira. Ele acha que a força do pensamento do filho, na hora do casamento, pode ter feito o pai estar presente. ‘‘A gente não pode duvidar de nada’’, diz. Siqueira conta que uma parente, que se casou no ano passado, viu o pai durante a cerimônia. ‘‘Eu não estava lá, mas acredito’’, afirma. Outro frequentador da praça, o comerciante Antonio Moraes, acha que não é possível uma pessoa que já morreu aparecer, mas não quis definir o que pode ser a foto.
A página do jornal onde foi publicada a fotografia chamou a atenção de várias pessoas. Muitos que estavam apenas passando pararam para ver a imagem, gerando discussão em torno do fato. Um homem, que não quis se identificar, chegou a tomar o jornal das mãos dos aposentados, para mostrar para outras pessoas do outro lado da rua. ‘‘Se você está falando que não é montagem e que é o pai do noivo, não vou duvidar’’, afirmou.
O barbeiro Valdemar José da Silva, que comprou a Folha para ver a foto, conta que quando era criança soube de um caso parecido que aconteceu em Lucélia (SP). Segundo ele, um homem matou a mulher e enterrou o corpo debaixo da cama do casal, para se casar com a amante. Quando foi fazer a foto ao lado da nova mulher, o fotógrafo via uma sombra ao lado dos dois pela lente da câmara fotográfica. ‘‘O cara falou pro fotógrafo fazer a foto logo. Quando revelou, a ex-mulher, que ele tinha matado, estava ao lado dos dois’’, narra Valdemar.
Marcos NegriniHistória antigaNa infância, o barbeiro Valdemar soube de caso parecidoO aposentado Dário Galetti, que também estava na barbearia, onde leu a reportagem da Folha no sábado, disse que um caso parecido com o de Lucélia aconteceu também em Londrina, em 1948. ‘‘A rodoviária ainda era perto de onde está a concha acústica da cidade, e a foto do casal saiu com a mulher anterior deitada nos pés dos dois’’, conta. Depois que a reportagem saiu da barbearia, o jornal com a foto foi tirado da prateleira pelos frequentadores, que queriam matar a curiosidade.
O padre da cidade, Edmar Peron, estava viajando, mas algumas pessoas ligadas à igreja alegam que a presença de Olimpio na foto pode ser causada pela força do pensamento do filho que estava casando.
‘‘Não acredito nisso. A Bíblia diz que se trata de manifestação do demônio’’, garante um fiel da Igreja Universal do Reino de Deus, de Nova Esperança. Ele não quis ser fotografado nem dizer o nome, e citando partes da Bíblia tentou explicar a posição da sua igreja. ‘‘A Bíblia diz que o demônio pode se transformar em um anjo de luz para enganar as pessoas’’, acrescentou. O fiel citou outros trechos que falam sobre a morte, e que o destino depende do comportamento da pessoa em vida. ‘‘Voltar ninguém volta, nem em foto’’, garante.
Para a benzedeira Josefina Aparecida Tavares, conhecida como ‘‘dona Maria’’, existe vida depois da morte. ‘‘Quando era jovem não pensava em nada disso, mas fui obrigada a aceitar algumas coisas até para viver em paz’’, diz. Ela mora em uma casa simples na Vila Regina, com muitos quadros de santos na parede. Atende todos os tipos de pessoas que procuram uma bênção. ‘‘Não cobro nada nem receito remédios ou qualquer outra coisa’’, diz. ‘‘Quem cura não sou eu e sim Deus’’.
Dona Maria revela que via vultos, que diziam para ela não comer alguns alimentos nem beber água. ‘‘Quase morri, fui internada em um sanatório, mas me salvei em um centro espírita’’, conta. Hoje ela diz usar as visões ‘‘para o bem’’, e assegura que os mortos podem estar entre nós. A benzedeira comenta: ‘‘Acredito na força do espírito, que pode ter aparecido em um dia especial para a família, como o casamento do filho. Mas existem pessoas que preferem fechar os olhos para essa realidade’’.
A viúva do corretor, Aparecida Silverio Rodrigues, 56 anos, que mora em Loanda (102 quilômetros a oeste de Paranavaí), diz que imagem de pessoas mortas em fotos não é nenhuma novidade. ‘‘Já vi muitas vezes e ouvi falar outras tantas’’, afirma. Ela disse à Folha que está chateada com a exploração feita por um programa de televisão, que duvidou da autenticidade da foto e ainda ofendeu a família. ‘‘Acha que um filho ia fazer uma armação dessas pra quê?’’, protesta. Ela diz ainda que os jornais estão procurando muito o filho Maurício, o que tem deixado a esposa dele muito nervosa.
Aparecida conta que o marido sofreu muito com a doença que o levou à morte, e os filhos sempre foram muito unidos. ‘‘Quando Olimpio morreu eles fizeram um funeral digno’’, lembra. Ela lamenta não ter ido ao casamento de Maurício, onde a foto foi feita. Depois de ver o pai na foto, os filhos ligaram para a mãe contando o fato. ‘‘No início achei que era um vulto e os meninos estavam exagerando. Mas quando vi a foto fiquei impressionada’’, diz. ‘‘Todo mundo que conhecia o Olimpio e viu a foto não tem dúvida’’.
Maurício Rodrigues, que é jogador profissional de futebol em União da Vitória, tem evitado falar sobre o assunto. Ele diz que a esposa, Eliane, está grávida e muito nervosa com o assédio de jornalistas e a repercussão do fato. ‘‘Por mim não tinha nem divulgado a foto’’, resume. Maurício concorda apenas em dar opinião sobre o aparecimento do pai na foto. ‘‘Foi uma bênção para toda a família, principalmente para mim’’, resume. ‘‘Da minha família só eu e meu pai estávamos no casamento’’.
Outro filho, José Marcos Rodrigues, que mora em Curitiba, lembra que ninguém da família pôde ir ao casamento. ‘‘O Maurício era o mais apegado ao nosso pai’’, comenta, emocionado. Ele conta ainda que algumas horas antes da cerimônia, Maurício disse à avó da noiva que lamentava não ter nenhum familiar no casamento. A mulher respondeu que alguém da família estaria lá.Clique aqui para ver a foto em tamanho maior
ReproduçãoO centro da polêmicaFoto de casamento em que aparece o corretor Olimpio Rodrigues (no destaque), morto em 93: céticos e crentes comentam a suposta apariçãoMarcos Zanatta

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