Imagem corporal de estudantes é tema de pesquisa
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terça-feira, 13 de julho de 2010
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A insatisfação com a imagem corporal faz parte da realidade de 64,4% das universitárias brasileiras. Estudo realizado por pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 37 instituições de ensino de todas as regiões do País, constatou que essa parcela das estudantes gostariam de ser mais magras do que o são.
O levantamento verificou também que mesmo as eutróficas, ou seja, com índice de massa corpórea (IMC) normal, escolheram como ideal saudável as figuras menores. Para as pesquisadoras Marle dos Santos Alvarenga, Sonia Tucunduva Philippi, Barbara H. Lourenço, Priscila de Morais Sato e Fernanda Baeza Scagliusi, a insatisfação com a imagem corporal pode influenciar comportamentos alimentares.
''A insatisfação corporal é associada com sintomas depressivos, estresse, baixa autoestima, maior restrição alimentar e evitação de atividade física'', afirmaram. O resultado da pesquisa, defendem, deve ser considerado em programas de promoção à saúde e à educação sobre comportamento e métodos adequados para manutenção do peso corporal.
As universitárias de Londrina parecem não fugir à regra. Em conversas com grupos de estudantes foi possível constatar que a maioria apresenta preocupações com o peso. ''Mulher sempre acha que está com uns quilos a mais'', confirmou Fernanda Tardin, 21, aluna de Administração. Apesar de também ter esta percepção sobre o próprio corpo, ela garante que o assunto não chega a tirar o sono ou interferir no dia a dia. ''Não deixo de comer o que gosto'', afirmou a estudante, que mora com a família. ''Percebo que as colegas que moram sozinhas comem mais alimentos pouco saudáveis.''
Thaís Bianchini, 21, estudante de Psicologia, descobriu em uma visita à nutricionista que está dentro dos limites do peso normal. Mesmo assim, considera-se acima do peso. ''Gosto de comer e vivo fazendo regime. Além disso, começo a frequentar a academia e acabo não indo por falta de tempo'', relatou a moça, que não deixa a preocupação com o corpo interferir na rotina, mas sempre considera que ''poderia estar melhor''.
Para ela, a influência da mídia - que divulga padrões de beleza irreais - é responsável pela eterna angústia das jovens com relação ao corpo. ''Admiro pessoas que estão fora do padrão e não se importam.''
Também aluna de Psicologia, Cristina Coccia dos Santos, 22, conta que ela e outras amigas já tiveram de avisar a mãe de uma colega de hospedagem sobre a preocupação excessiva com o corpo. ''Ela começou a apresentar sintomas de anorexia. A família encaminhou para uma nutricionista e o problema foi resolvido'', recordou.
A própria Cristina afirmou estar insatisfeita com o próprio corpo, apesar de não deixar o tema influenciar o cotidiano. ''Quando vim para Londrina estudar, há quatro anos, era dez quilos mais magra'', disse. Segundo ela, conciliar a rotina dos estudos com a obrigação de providenciar comida, fazer compras e outras tarefas acaba estimulando a má alimentação. ''Por falta de tempo, acabamos comendo lanches.''


