Um pequeno ímã encontrado ontem na balança de pesagem dos caminhões de lixo que utilizam o aterro sanitário de Londrina pode provocar um aumento de 10% na dívida da prefeitura com a Vega Sopave somente em relação à coleta. Isto equivale a uma diferença de R$ 2.100,00 por dia.
O ímã foi encontrado pelos técnicos do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) durante uma aferição requisitada pelo auditor municipal, Sadi Chaiben. Segundo o gerente regional do Instituto, Paulo Delgado, o metal estava embaixo da base da balança e sua posição em relação à regua pode alterar para mais ou para menos o resultado. ‘‘Isto é ilegal’’, resumiu.
O aterro sanitário serve de depósito para lixo hospitalar e doméstico. Diuturnamente, ele recebe 363 toneladas de dejetos carregados em 60 viagens de caminhões simples e trucados da Vega. Cada vez que entram no aterro, são pesados na entrada e na saída sob a fiscalização de uma dupla de fiscais da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e da Vega.
Para cada tonelada de lixo recolhido, a prefeitura paga à empresa R$ 57,60, isso sem contar o valor cobrado pela operação do aterro, quantia que Chaiben não soube informar. O fiscal da Vega, Claudio Arruda, disse que não sabe como o ímã apareceu ali. ‘‘Trabalho aqui há 13 anos e nunca tive problema com a balança, que é aferida duas vezes por dia no início de cada turno’’.
Chaiben e Delgado evitaram fazer suposições sobre o caso. A Vega também não quis se pronunciar. Independente das justificativas, a empresa foi autuada pelo Ipem e terá 15 dias para recorrer da multa que deve variar de 1.500 a 50 mil UFIRs (Unidades Fiscais de Renda) – entre R$ 1.500,00 e R$ 50.000,00. O ímã foi apreendido pelos técnicos como prova do fato.
Segundo Delgado, o Ipem é obrigado a aferir esta balança, pelo menos, uma vez por ano. Em 2000, esta foi a segunda fiscalização. Em janeiro, os técnicos do órgão não encontraram nada de irregular no instrumento.
O procurador jurídico do município, Arão Moreira dos Santos Neto, sugeriu ao presidente da AMA, Rafael Fuentes, a instauração de uma sindicância interna para apurar o envolvimento de funcionários públicos e também a abertura de um inquérito policial. Enquanto isso, a balança continuará a ser fiscalizada diariamente até o próximo dia 30.

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