Iluminação precária em escola da zona rural
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terça-feira, 18 de dezembro de 2018
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 

Os alunos do período noturno da EJA (Educação de Jovens e Adultos) da Escola Municipal do Campo Egídio Domingos Brunetto, localizada no Eli Vive 2 (Distrito de Lerroville, zona sul Londrina), sofrem com a iluminação precária. O professor Gilberto Martin leciona nos anos iniciais do ensino fundamental e ficou responsável pela turma noturna da EJA - que foi implantada em 2018 para atender estudantes acima de 15 anos, interessados em concluir a alfabetização do nível fundamental. Durante o dia ele afirma que não há problemas, pois a iluminação natural da escola é muito boa, porém, a situação se complica à noite. "Tem noites que não tem nenhuma lâmpada acesa. Fica escuro até para os educandos irem ao banheiro", destacou. "Fica difícil da escola funcionar. O pessoal leva o celular e usa como lanterna", acrescentou.
Segundo o professor, por medo, as mulheres vão em dupla ao banheiro, que fica em um local separado da edificação da sala de aula. "O problema maior de escuridão é no pátio e no refeitório da escola", destacou. A prefeitura assumiu a unidade em fevereiro de 2016. O assentamento Eli Vive 2 está localizado a 10 km do distrito de Lerroville.
O professor lembra que já chegou a lecionar por 30 dias com a lâmpada da sala de aula queimada. "Não havia lâmpada reserva para substituir a que havia queimado. Fomos trabalhando com a iluminação fraca até que aconteceu a troca", destacou. "Eu juntava os estudantes na frente do quadro negro e fazíamos a nossa aula", ressaltou. Ele afirmou que ainda hoje não existe uma lâmpada reserva caso outra dela queime novamente, o que não é difícil diante das oscilações de energia que ocorrem quando há chuvas ou tempestades.
JOGADOS DE ESCANTEIO
O agricultor Romildo Santos Silveira, trabalha durante o dia e frequenta as aulas à noite. "As escolas que ficam na parte urbana do distrito são melhores e bem iluminadas. Nós somos jogados de escanteio. Estamos aqui no escuro porque somente este ano apareceu a oportunidade de estudarmos. A EJA foi implantada este ano, mas deveriam criar uma estrutura melhor", reclamou. "Tem hora que tenho vontade de ir ao banheiro, mas não vou porque está tudo escuro."
Outra aluna da EJA é Vanusa Belo do Amaral, também reclama das dificuldades para ir ao banheiro. "Quando vou ao banheiro tenho que deixar a porta aberta para iluminar um pouco, mas me sinto um pouco insegura. Não posso dizer que não tem risco, pois sempre pode ter alguém escondido. Sou viúva e tenho dois filhos, um menino de nove anos e uma menina de 16 anos. O menor sempre pede para eu não vir", ressaltou.
A aposentada Odila Martins, 64, também frequenta as aulas do EJA. "Como cuido dos netos, a gente chega na escola cansada. Já uso óculos, tenho dificuldade de enxergar de perto. Com essa iluminação fraca, prejudica o desempenho na escola", destacou. Ela explicou que da sua casa até a escola há um trecho longo que fica no escuro. "Preciso percorrer mais de um quilômetro para ir na escola e o trajeto inteiro é no escuro. Tinha que ter mais iluminação", criticou. Ela também relatou que na sala tinha uma lâmpada que queimou e que agora foi consertada. "Ficamos vários dias no escuro. No pátio tinha uma lâmpada que funcionou um tempo e agora queimou de novo. Será que vão arrumar nas férias?"
A secretária municipal de Educação, Maria Tereza Paschoal de Moraes, informou que pediu à coordenação da EJA que providenciasse os reparos.


