Curitiba - Não é só a ausência de policiamento nas ruas que causa sensação de insegurança nos curitibanos. Ruas mal iluminadas também contribuem com o receio de ser alvo da criminalidade. Para driblar essa situação, comerciantes e moradores de um trecho da Rua Morretes, no bairro Portão, decidiram melhorar a iluminação por conta própria.
Lâmpadas mais potentes foram instaladas junto às fachadas dos prédios para garantir mais segurança no vai e vem de moradores. Mesmo quem não mora por ali acaba se beneficiando, pois, inclusive a rua acabou ficando mais clara.
Uma escola que fica em uma das esquinas da Rua Morretes, a Ensitec, colocou holofotes por toda a extensão do muro do estacionamento dos professores, iluminando a parte externa (calçada e rua). A coordenadora de Marketing da escola, Gláucia Helena de Souza, relatou que os furtos aos veículos de alunos, que ficam estacionados na rua, eram frequentes. A maior parte dos alunos estuda à noite. ‘’Decidimos pagar uma pessoa para cuidar dos carros e colocar a iluminação’’, contou. A iniciativa conseguiu inibir um pouco a ação de marginais. Mas, a escola e comércio vizinho ainda não estão satisfeitos. Gláucia disse que eles estão fazendo um abaixo-assinado pedindo mais policiamento na região. Esperam reunir mil assinaturas. Cerca de 700 já foram garantidas.
Não é preciso ir longe para buscar outros exemplos. Na rua onde está sediada a redação da FOLHA -a Belo Horizonte-, a iluminação é precária, contrastando com a via transversal -a Avenida Sete de Setembro-, que é bem iluminada. A estudante Nicolly Wolf Henriques, 18 anos, que passa com freqüência pelo local diz não entender o porquê das diferenças na qualidade da iluminação e que procura evitar ruas escuras. ‘’Nunca fui assaltada, mas nem por isso deixo de ter cuidado’’, afirmou.
A nova iluminação da Avenida Sete de Setembro fez parte do projeto piloto que prevê a substituição de luminárias e lâmpadas por outras mais potentes e de melhor rendimento, informou o diretor do Departamento de Iluminação da Secretaria Municipal de Obras Públicas, Ivan Luiz Alves Martins, ao justificar os contrastes nas condições de luminosidade das vias. Ele reconhece que, em muitos pontos da cidade, a situação está longe da ideal, mas garante que, gradativamente, as inadequações estão sendo corrigidas. Iluminação semelhante à da Sete de Setembro será instalada nas outras vias estruturais.

Plano de iluminação
Martins adiantou que, até meados de 2009, deverá ser concluído o plano diretor de iluminação de Curitiba. O mapeamento de todos os pontos de iluminação da cidade -140 mil-, segundo ele, já foi finalizado e é a partir desse diagnóstico que as melhorias estão sendo feitas. ‘’Estamos priorizando locais onde há maior concentração de população, escolas, unidades de saúde, comércio e pontos de ônibus do transporte coletivo’’, esclareceu ele.
Do início do ano até agora, 12 mil luminárias foram substituídas por outras de alta eficiência. O rendimento (capacidade de direcionar o fluxo luminoso), segundo Martins, aumentou de 30% para 70% e as lâmpadas de 70 watts foram trocadas por de 100 watts. Bairros como o Tatuquara estavam com as mesmas luminárias de quando a região começou a se consolidar, há 30 anos.
O plano diretor de iluminação irá direcionar as necessidades de investimento, considerando variáveis como concentração de indústrias, crescimento populacional e, inclusive, índices de criminalidade.

mockup