São José dos Pinhais - A instalação do ILS-2 - sistema que permite pousos e decolagens mesmo com forte neblina - ainda não resolveu o problema de atrasos e cancelamentos de vôos no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Em funcionamento desde 8 de agosto, levantamento feito pela Infraero, mostra que nos 23 dias de funcionamento no mês passado o ILS-2 não alterou o tempo médio mensal histórico em que o aeroporto fica fechado por falta de condições climáticas.
Segundo dados passados à Folha pela assessoria de imprensa da Infraero, em agosto, o aeroporto ficou fechado em 12 dias, num total de 41 horas sem vôos. Com isso, 78 vôos chegaram com atraso ou foram cancelados. Esses números são praticamente iguais ao desempenho entre janeiro e julho deste ano, quando o aeroporto fechou, em média, 11 dias, num total de 41 horas por mês, resultando no cancelamento ou atraso de 72 vôos. O maior número de atrasos ocorreu em julho: 36% do total.
Comprando com agosto dos anos anteriores, o ILS-2 também não se destaca. Em agosto de 2000, o aeroporto ficou 40 horas fechado e teve 14 vôos cancelados ou atrasados. Já em agosto de 2001, o número chegou a 73 horas de aeroporto fechado, com prejuízos para 44 vôos.
Quando instalado, o sistema foi apontado como sendo a solução para diminuir os atrasos de vôos por causa do nevoeiro. A expectativa era que houvesse uma redução em até 60% nos cancelamentos de vôos no local por causa da neblina. A Folha apurou que uma das causas desses números não terem mudado pode ter sido a inadequação, até agora, das aeronaves ao novo sistema e falta de capacitação dos pilotos. A superintendência do aeroporto foi procurada pela reportagem para comentar o desempenho do ILS-2, mas segundo a assessoria de imprensa não seria possível atender a equipe.
Desde o início das campanhas para que o aparelho fosse implantado no aeroporto, o ex-superintendente da Infraero João Roberto de Paula já alertava que as aeronaves tinham que se equipar e os aeronautas teriam que ser capacitados para trabalharem com o novo sistema. Caso contrário, o ILS-2 seria inóquo.

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