Os últimos moradores das ilhas do Rio Paraná estão sendo retirados da reserva e reassentados na Vila Rural de Vila Alta (85 km a noroeste de Umuarama). Nos últimos 30 dias, a direção do parque e a prefeitura de Vila Alta transferiram 59 famílias de ilhéus para a vila rural. Apenas três moradores vão continuar em Ilha Grande, dois aposentados que vivem sozinhos e o dono de um barzinho no atracadouro da balsa que faz a travessia do Rio Paraná, entre Porto Figueira e Itaquiraí (MS).
Segundo o diretor da Área de Proteção Ambiental (APA) de Vila Alta, Job Resende Neto, por causa da idade, dois velhinhos que vivem em Ilha Grande não puderam ser incluídos no programa de vilas rurais e não têm para onde ir. O comerciante vai continuar atendendo no atracadouro da balsa até a conclusão na ponte em Porto Camargo, no município de Icaraíma. Quando a ponte estiver pronta, o serviço de balsa em Porto Figueira será desativado.
O cearense Raimundo Benício de Oliveira, 72 anos, é um dos privilegiados que vai poder continuar morando em Ilha Grande, pelo menos por enquanto. Segundo a direção do parque, Oliveira tem consciência ecológica, respeita as normas de preservação e ajuda a cuidar da reserva. Ele tem permissão para pescar e cultivar 50 metros quadrados com lavouras para reforçar a aposentadoria de um salário mínimo. ‘‘Eu adoro viver aqui’’, diz Raimundo. Viúvo, ele mora sozinho há 7 anos num casebre ao lado do rio, mas vive em Ilha Grande há 40 anos, desde que veio do Ceará. Na ilha, teve e criou os nove filhos que casaram e foram embora. Nem todos os ilhéus concordaram em ‘‘abandonar’’ definitivamente as antigas moradias. Para evitar desavenças, a direção do parque permitiu que todos mantenham as casas por mais algum tempo. ‘‘Eles podem ir lá pescar, colher alguma coisa, até se adaptarem à vida na vila rural’’, disse Resende. Na vila rural, as famílias dos reassentados receberam sementes, equipamentos assistência técnica e outros tipos de ajuda para recomeçar a vida. Algumas já criam porcos e pequenos animais. Por causa dos ilhéus, o assentamento com 85 casas recebeu o nome de Vila Rural Ilha Grande.
O arquipélago de Ilha Grande já teve mais de mil moradores. Os posseiros começaram a deixar as ilhas na segunda metade da década de 80 por causa das enchentes que quase todo ano destruíam as lavouras de subsistência. As inundações se tornaram constantes depois da formação do Lago de Itaipu, em 1982. Aos poucos, os ilhéus foram vendendo as posses para grandes fazendeiros e a pecuária tomou conta do lugar.
Em 1995, os promotores de justiça começaram a exigir a retirada do gado criado solto e que estava depredando a reserva. As ações em defesa do arquipélago culminaram com a criação do Parque Nacional de Ilha Grande e cinco APAs municipais para proteger as áreas não incluídas no território do parque. Ainda em implantação, o parque de Ilha Grande tem 80 mil hectares, distribuídos em mais de 200 ilhas e ilhotas ao longo de 150 quilômetros entre Icaraíma e Guaíra. O Ibama tem prazo até 2002 para definir e pagar as indenizações a quem tem títulos de propriedade nas ilhas.

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