O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) começa ano que vem a pagar as indenizações aos proprietários e posseiros de terras nas ilhas do Rio Paraná, transformadas em parque nacional há três anos. Quase 100 pedidos de indenização já foram entregues em Altônia, Vila Alta e Guaíra, atual sede da direção do parque. O Parque Nacional de Ilha Grande compreende cerca de 76 mil hectares distribuídos em 300 ilhas e várzeas ao longo de 150 quilômetros do ‘Paranazão’, entre Icaraíma e Guaíra, na divisa com Mato Grosso do Sul.
Segundo a diretora do parque, Maude Nancy Motta, o Ibama tinha prazo até 2002 para pagar as indenizações, mas decidiu antecipar em razão da importância da reserva para a conservação da biodiversidade. As ilhas estavam sendo depredadas pela criação de gado. O órgão ainda não tem idéia do número de propriedades a serem indenizadas. Maude estima que 30% das terras pertencem a particulares.
Com o pagamento das indenizações, o Ibama poderá proibir toda e qualquer atividade econômica no parque. Os fazendeiros ainda mantêm cerca de 400 cabeças de gado no arquipélago. Pelo menos 10 pecuaristas ainda brigam na Justiça pelo direito de continuar explorando as terras nas ilhas, mas todas as decisões até agora são favoráveis à retirada do gado.
Segundo o técnico do IAP, Geraldo Magela, o Ibama e o IAP vão analisar primeiro as propriedades, cujos títulos estejam registrados em cartório. Depois, será a vez das escrituras sem registro e, por último, contratos de compra e venda e outros documentos que podem comprovar a posse ou propriedade da terra. O Ibama estima que os primeiros pagamentos podem ser liberados a partir de março de 2001. Os valores serão definidos por uma comissão criada pelo Ibama e quem não concordar terá que recorrer à Justiça.
Segundo o IAP, a maioria não cumpriu o acordo e agora será processada pela Associação de Defesa do Meio Ambiente (Adema) de Umuarama. É o caso do pecuarista Roberto Heller, de Cidade Gaúcha. Cerca de 80% da propriedade de 95 hectares dele em Vila Alta está dentro da várzea do Paranazão, onde cria 300 cabeças de gado. Heller argumenta que isolou os 150 metros de margem e só terá de desocupar o restante quando for indenizado.