Edinelson Alves
Especial para a Folha
A vegetação seca em decorrência da longa estiagem tem sido um verdadeiro combustível para provocar queimadas em praticamente todo o Brasil. De Norte a Sul, o País arde em pequenas e grandes queimadas com consequências desastrosas para o meio ambiente e também para a população. No Paraná, são centenas de pequenos focos de incêndio. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) ainda não tem um levantamento completo dos dados, mas informa que o incêndio mais grave ocorreu há 15 dias no Parque Nacional de Ilha Grande, no Rio Paraná. Foram destruídos cerca de três mil hectares da Ilha Bandeirantes, a segunda maior daquele arquipélago.
Durante a semana, soldados do Corpo de Bombeiros e voluntários lutaram contra o fogo na Fazenda 7 Mil, na região de Ivaiporã. Foram três dias de muito esforço, mas cerca de 3 mil alqueires de pastagens acabaram destruídos. Parte da propriedade é ocupada por integrantes do MST. No Oeste do Estado, onde não chove há 50 dias, mais de 40 focos de incêndios foram registrados nos últimos dias. Parte da mata do Parque Ecológico de Cascavel foi queimada na última terça-feira.
Segundo o presidente do Ibama, José Sarney Filho, o Mato Grosso é o estado brasileiro que enfrenta a situação mais crítica com relação às queinmadas. Ele não soube precisar o tamanho do prejuízo, mas admitiu que milhares de hectares foram destruídos em diversas regiões daquele Estado. Algumas áreas de preservação permanente também foram atingidas, como o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães que voltou a queimar na sexta-feira, na localidade conhecida como Água Fria.
Depois de um incêndio no mês de julho, que destruiu 7.000 hectares entre área de parque e Área de Proteção Ambiental (APA), o fogo voltou a aparecer. Segundo a chefe do parque, Luceny Rodrigues, entre 12 e 15% do total de 33 mil hectares já foram destruídos. Ela admite que ‘‘a situação é caótica’’. Além de Chapada, os municípios do Norte de Mato Grosso, especialmente Alta Floresta, e o Pantanal Mato-Grossense, estão atraindo a atenção das autoridades. Uma área separada do Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense apenas pelo Rio Paraguai teve 90% da área queimada. Os técnicos do Ibama não souberam precisar o tamanho exato da destruição naquela região, mas afirmam que as queimadas são gigantescas.
Nas cidades da região Norte os problemas de saúde se multiplicaram. Toda vida urbana tem sido afetada pela constante nuvem de fumaça que cobre as cidades do Mato Grosso, Rondônia e Acre.
O Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, operou com restrição na sexta-feira o dia inteiro, em virtude da fumaça que encobre a Grande Cuiabá. Durante todo o período, a visibilidade horizontal esteve abaixo dos 5 mil metros. O pior momento aconteceu pela manhã, quando a visibilidade chegou a 1,4 mil metros. A suspensão de vôos tem sido constante na capital do Mato Grosso. Também o aeroporto Presidente Médici, em Rio Branco (AC), ficou fechado anteontem durante quatro horas. Alguns passageiros já ficaram retidos nos aeroportos por 24 horas por causa da fumaça.
Há cerca de 15 dias, a fumaça provocada por um foco de incêndio em São José dos Campos causou acidentes que envolveram 22 veículos. O congestionamento chegou a três quilômetros.
O primeiro acidente envolveu 14 carros e aconteceu no km 83 da Carvalho Pinto, que liga São José a Jacareí. A Polícia Rodoviária daquele Estado informou que foi a primeira vez que ocorreu um acidente envolvendo tantos veículos no Vale do Paraíba.

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