ILHA GRANDE - Após quase 8 anos, ilhéus ainda esperam indenização
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quarta-feira, 23 de março de 2005
Fernando Rocha Faro 
Esperança e desalento. Esses sentimentos contrastantes ilustram com exatidão o estado de ânimo de cerca de 3 mil famílias espalhadas, na sua maioria, pelos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. São os ilhéus despejados de propriedades no arquipélago do Parque Nacional de Ilha Grande, entre as cidades de Icaraíma e Guaíra, no Noroeste do Paraná, na divisa com o Mato Grosso do Sul. Esses agricultores esperam desde 1997 pelo pagamento de indenizações pelas suas terras. Após tanta espera, alguns dizem que perderam as esperanças de receber o dinheiro a que têm direito.
Criado por um decreto presidencial de 30 de setembro de 1997, o parque compreende cerca de 78 mil hectares e inclui cerca de 300 ilhas e várzeas ao longo de 150 quilômetros do Rio Paraná. A partir da inauguração da Usina Hidrelétrica de Itaipu, em 1982, os ilhéus passaram a sofrer com as constantes cheias, provocadas pela abertura de comportas de barragens do Estado de São Paulo. O decreto previa o pagamento de indenizações em um prazo de cinco anos, que venceu em 2002.
O parque tem área exata de 78.875 hectares. Já a Área de Proteção Ambiental (APA) Federal abrange 1.003.059 hectares. A região está inserida no complexo ecossistema que integra o Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná, criado também em 1997 a partir de um projeto do Instituto Ambiental do Paraná, desenvolvido pelo Ibama e pelos municípios integrantes do Consórcio Intermunicipal para a Conservação do Rio Paraná e Áreas de Influência (Coripa).
A criação das Áreas de Proteção Ambiental e da Estação Ecológica, em 1994, reduziu as agressões ambientais ao arquipélago. Em setembro de 2003, no entanto, um incêndio destruiu cerca de 5 mil hectares de mata nativa. Na época, a polícia suspeitou que o fogo teve origem criminosa.
Esperando pela indenização, muitos ilhéus enfrentam dificuldades financeiras. Eles estão espalhados por cidades da região, como Guaíra, Querência do Norte, Alto Paraíso, entre outras.
Uma dos destinos mais trágicos de ex-ilhéus foi o de Antonio Tavares Pereira. Ele foi morto por um tiro num confronto entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e a Polícia Militar perto de Curitiba. Empurrado para a luta no campo após a criação do parque, o agricultor e a mulher, Maria Sebastiana, estava assentados com outras 35 famílias em Candói. Fundador e então presidente da Associação dos Ilhéus Atingidos pelo Parque Nacional de Ilha Grande e Área de Proteção Ambiental (Apig), ele liderava a luta pelas indenizações.
O grupo que ele comandava foi para Curitiba a fim de chegar até o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Depois, reuniriam-se com os outros militantes do MST, que se concentrariam em frente aos prédios públicos, conforme os planos da liderança nacional do movimento. No confronto com a PM, ele foi atingido por um tiro. Morreu aos 38 anos.


