Luciana Pombo
De Curitiba
Um dos pontos mais belos das praias paranaenses está no município de Paranaguá, o maior do litoral e com cerca de 50% da população total da região. A Ilha do Mel é um local de conservação ecológica. Diariamente, centenas de turistas deixam Pontal do Paraná de barco para serem levados para a Ilha do Mel. A travessia é rápida. As embarcações saem lotadas, com cerca de 90 pessoas cada uma, de meia em meia hora.
A chilena Didier Arancibia, de 21 anos, diz que visita à praia de Brasília, na Ilha do Mel, regularmente. Ela acha que a praia é maravilhosa. ‘‘As praias do Paraná são ruins. A ilha é maravilhosa, agradável’’, afirma. Apesar de ter praias belíssimas no Chile, Didier diz que não troca a Ilha do Mel por nada. ‘‘No Chile a água é muito fria, a areia é grossa e machuca o pé. Aqui a água é quente e a vegetação é rica’’, salienta. A chilena foi visitar a ilha com seu namorado Rodrigo Rockenbach, de 21 anos.
O IAP é o órgão responsável pelo controle da visitação na Ilha do Mel, arrecadação de recursos e investimentos ambientais e de turismo na região. Nos últimos dois anos, foram arrecadados R$ 176,4 mil. As prioridades do investimento ficaram para a limpeza e a manutenção da ilha através da coleta e do transporte do lixo. Para isto, foi realizado um convênio com os nativos, que fazem o serviço. A coleta do lixo rende para os moradores do local cerca de R$ 3,6 mil por mês.
Segundo o chefe do IAP no litoral, Hamilton Bonatto, ainda estão sendo feitos investimentos num sistema de esgoto da Praça de Alimentação, que deverá estar concluído esta semana. ‘‘Esta é uma responsabilidade da prefeitura de Paranaguá, mas estamos realizando a obra para atrair um número ainda maior de turistas’’, declara. Também estão sendo realizadas obras no trapiche de Brasília e de Encantadas. Todos os investimentos feitos na Ilha do Mel são aprovados por um Conselho Gestor, formado por representantes do IAP, Associação Comercial, Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Prefeitura de Paranaguá, Associação de Moradores e Associação de Barqueiros.
O IAP cobra uma taxa de R$ 2,00 por pessoa para a travessia até a Ilha do Mel. Só estão isentos da taxa os menores de cinco anos, moradores e excursões em atividades de educação ambiental. O número máximo de visitantes também é controlado, o limite é de 5 mil pessoas por dia. É proibida a entrada de animais domésticos na ilha para evitar doenças e melhorar as condições de higiene no local. ‘‘A ilha é muito sensível ecologicamente. Não podemos fazer nada que possa ser destrutivo. Não tem esgoto para tanta gente e temos que evitar a possibilidade da proliferação de doenças’’, diz.
Atualmente, as maiores dificuldades enfrentadas no local são falta de um saneamento básico, construções irregulares e poluição sonora. Nove fiscais do IAP fazem o acompanhamento diário da ilha para detectar as irregularidades. ‘‘Estamos trabalhando em conjunto com a Polícia Florestal para evitarmos maiores problemas’’, afirma.
Até março, deverá estar concluído o Plano de Instruções Básicas da Ilha do Mel – uma espécie de código de posturas e um plano diretor do local. O projeto está sendo realizado em parceria entre o IAP, Conselho do Litoral, Secretaria de Estado da Cultura, Departamento de Patrimônio da União, Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Prefeitura de Paranaguá. ‘‘Com este plano sanaremos nossa deficiência de caminhos. Faremos a regularização fundiária da ilha e abriremos locais para que as pessoas possam se locomover com maior facilidade’’, salienta. Também serão definidos no plano a metragem de cada construção, altura e ocupação de terrenos. ‘‘Não permitiremos grandes estruturas’’, diz.Dinheiro arrecadado com o transporte é reinvestido. Idéia é fazer a regularização fundiária e definir um plano para as construções
José SuassunaA PREFERIDAVisitante assídua da praia Brasília, a chilena Didier Arancibia, diz que não troca a Ilha do Mel por nada. Este ano, trouxe o namorado para conhecer o as belezas do ponto turístico do litoral do Paraná