Uma diminuição no repasse de recursos federais pode fazer com que o Instituto Londrinense de Educação para Surdos (Iles) de Londrina reduza o atendimento. Através do Centro Audiológico Professora Rosalina Lopes Franciscão, o Iles atende cerca de 50 pessoas por dia.
Depois que o Ministério da Saúde reduziu a verba, a prefeitura redistribuiu os recursos destinados ao tratamento das deficiências auditivas, repassando 50% do valor para o Conselho Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) e a outra metade para o Iles. Presidente e fundadora do instituto, a professora que dá nome ao centro audiológico não concorda com a divisão e já requereu ao secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, um repasse de 70%, o que corresponderia a R$ 119 mil ao invés dos R$ 85 mil anunciados.
O secretário, porém, afirmou que as duas instituições estão passando por uma análise técnica para apurar as necessidades de cada uma. ''Não houve uma diminuição de recursos, mas uma redistribuição do dinheiro per capita para todos os Estados e regiões. Mas já estamos reivindicando junto ao ministério mais recursos para esta área'', declara. Segundo Fernandes, o município não tem disponibilidade orçamentária e financeira para fornecer recursos financeiros ao Instituto.
''Nosso atendimento é de alta complexidade, requer mais recursos em relação ao do Cismepar, que é considerado de média complexidade. Por que dividir o dinheiro igualmente se oferecemos mais serviços?'', questiona Eliana Oliva, auxiliar administrativo do Iles. Ela conta que o centro médico foi reestruturado em 2000 para atender às exigências de uma portaria do Ministério da Saúde. ''Nós reformamos o prédio, compramos equipamentos e contratamos profissionais especializados para adequar o atendimento'', relaciona. ''Depois de todo o investimento realizado para cumprir exigências do próprio ministério, é uma incoerência nós sermos obrigados a reduzir o atendimento.''
O Iles foi fundado em 1959, tornando-se a primeira escola de educação para surdos do Norte do Paraná. Há cinco anos, ganhou também o centro audiológico, que oferece atendimento médico especializado. Além de três otorrinolaringologistas, o centro dispõe de um neuropediatra e nove fonoaudiólogas. De acordo com Rosalina, toda a estrutura foi construída através de doações e contribuições da própria comunidade, sem nenhum recurso do poder público. ''Alguém dava o terreno, outro o telhado, ou tijolos, e assim fomos construindo o Iles nestes quase 50 anos.''
Além de consultas, fonoterapia e exames como o teste da orelhinha (realizado tanto no instituto quanto na Maternidade Municipal), também são efetuados procedimentos mais complexos, como o Bera, exame de audição em que a criança é sedada. ''O centro médico do Iles também fornece aparelhos auditivos e é o único na cidade apto a atender crianças de até 3 anos'', destaca Rosalina. Assim como a escola do Iles, que tem hoje 140 alunos, o Centro Audiológico atende também pessoas de diversas cidades da região.

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