O Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece) vai prorrogar a campanha O Seu Papel é Importante lançada no dia 14 de maio. A campanha foi idealizada para durar apenas 30 dias, mas o retorno da comunidade e necessidade de mais recursos para a compra de equipamentos destinados aos cursos profissionalizantes levaram o Instituto a decidir pela continuação da campanha. A coordenadora pedagógica do Ilece, Rosângela Curcelli, explica que a instituição precisa de cerca R$ 3 mil para adquirir um computador e uma máquina de cortar papelão.
Uma das principais atividades dos alunos do Ilece é a produção de caixas e embalagens para presentes. Da venda destes produtos resulta a manutenção do curso profissionalizante e os salários dos ex-alunos, que ensinam e trabalham como funcionários na elaboração das embalagens. ‘‘A demanda por este tipo de produto é grande e a estrutura atual não dá conta. Com a máquina de cortar papelão vamos poder aumentar significativamente a produção e o computador vai nos ajudar na criação de novas estampas’’, esclarece Rosângela.
A campanha colocou 20 pontos de coleta de papel velho, jornais e revistas usadas na cidade. E até agora havia arrecadado 13.359 quilos de papel que, vendidos, resultaram em R$ 911,00. ‘‘O retorno da comunidade tem sido ótimo. Todos os dias chegam sacolas com doações de jornal, papel velho e até brinquedos e roupas’’, conta.
O Ilece atende hoje 226 crianças portadoras de necessidades especiais, sendo que as de zero a 14 anos (116) permanecem na sede, na avenida JK; as que têm mais de 14 anos (110) recebem atendimento na subsede, localizada na zona sul. Lá são desenvolvidas as oficinas de embalagens, cestaria, encadernação, marcenaria e tapeçaria. Os produtos feitos pelos alunos são comercializados numa loja na sede do instituto.
A coordenadora explica que apesar do Ilece tentar atender a todos os pedidos de matrícula, a demanda é maior que a sua capacidade de atendimento. ‘‘Temos pelo menos 20 crianças na fila, esperando uma vaga’’, afirma. Na sua avaliação, não faltam instituições que trabalhem na área - atualmente 3 - mas faltam investimento e consciência por parte da população sobre a importância do trabalho que realizam. ‘‘Nossa principal meta é integrar estes jovens à sociedade e isto inclui ajudá-los a se tornarem independentes e produtivos. Mas sem o apoio da comunidade e empresários é praticamente impossível’’, defende.
Rosângela Curcelli diz que o mercado ainda é muito fechado para os portadores de deficiência. ‘‘Quando um empresário faz a tentativa, não tem a paciência de esperar o tempo necessário para o deficiente mental se adequar e aprender o trabalho e, depois de um mês, acaba desistindo’’, conta. Os portadores de deficiência mental, diz, têm maior dificuldade para aprender, mas depois se tornam empregados excelentes.
A sede do Ilece e os 20 pontos de coleta vão continuar recebendo doações. Entre eles: as agências bancárias do calçadão do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, postos de combustíveis, escolas e a Câmara dos Vereadores. Quem tiver dificuldade de encaminhar a doação até um dos pontos de coleta poderá acionar a Kombi do Ilece através do telefone (043) 326.1495. A entidade garante que vai buscar o material.
A iniciativa tem o apoio da Autarquia do Meio Ambiente (AMA) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da Associação Ambientalista Bandeira Verde.

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