O prefeito de Iguaraçu (34 quilômetros ao norte de Maringá), Sebastião Aurélio da Silva (PSDB), adotou uma medida que está gerando polêmica na cidade: o recolhimento e castração dos cães encontrados nas ruas. A medida deve entrar em vigor hoje com a definição do local para onde serão levados os animais. Entre os moradores da cidade, a maioria concorda com o recolhimento dos cães, mas não quer que seja feita a castração.
Os moradores de Iguaraçu foram informados sobre a decisão do prefeito no início do mês, através de um comunicado distribuído junto com a fatura da conta de água. No comunicado, a informação é de que o recolhimento dos animais teria início ontem.
De acordo com o veterinário Dirceu Vedovello, do departamento de Saúde de Iguaraçu, o trabalho foi adiado porque o prefeito e os secretários não definiram o local para onde serão encaminhados os animais. Segundo ele, o recolhimento dos cães deve ter início hoje, mas a castração só começa amanhã. É que a medida determina prazo de um dia para que os donos dos animais que não concordam com a castração possam retirar os cães. ‘‘A idéia é devolver os cães para os seus donos desde que eles se comprometam a cuidar dos animais, não deixando-os soltos nas ruas’’, afirma Vedovello.
Se não for procurado, o animal vai ser submetido à castração mecânica - que consiste na colocação de um anel de borracha nos testículos do cachorro. A borracha vai bloquear a irrigação sanguínea dos testículos, que entre oito a dez dias secam. Este tipo de castração, conforme Vedovello, é muito praticado com outros animais, como ovinos e caprinos. ‘‘O animal só vai sentir dor durante a colocação do anel de borracha, mas no dia seguinte ele não sente mais nada’’, explica. Além de castrar, a prefeitura vai aplicar vermífugo nos cães.
Conforme levantamento da prefeitura, existe na cidade cerca de 200 a 250 animais soltos pelas ruas. A maioria dos cães, diz Vedovello, tem dono mas fica ‘‘abandonado’’ durante todo o dia. A medida de recolher e castrar os animais, informa o veterinário, teve como primeiro objetivo alertar a população.
A vereadora Elizabete Tomitão (PFL) aprova a idéia do prefeito. ‘‘À noite, parece que está acontecendo uma ópera na cidade. Um grupo de cachorro late de um lado, e mais um late do outro’’, reclama. Segundo ela, os cães têm que ser recolhidos e castrados porque os donos não cuidam dos animais. A dona-de-casa Regina Fernandes também concorda com a medida e diz que a ‘‘cachorrada’’ faz muita bagunça na cidade. ‘‘Não tem quem dorme com esse monte de cachorro solto pelas ruas. Além disso, eles atacam as pessoas’’, diz.
Já a funcionária pública Vanilda Gomes Pinheiro afirma que os animais devem ser recolhidos, mas não castrados. ‘‘Acho que a castração é uma medida muito drástica’’, critica. Vanilda também reclama dos animais soltos pelas ruas, mas acha que a prefeitura deveria apenas recolher aqueles que são abandonados pelos seus donos.

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