Carlos BorbaAlertaVazão superou 16 mil metros cúbicos por segundo nas comportas da barragem, no Rio IguaçuO nível da barragem da Hidrelétrica de Salto Caxias, no Rio Iguaçu, atingiu ontem 23 metros acima do normal. A hidrelétrica, que está sendo concluída pela Copel, fica entre os municípios de Capitão Leônidas Marques (78 km ao sul de Cascavel) e Nova Prata do Iguaçu (78 km ao norte de Francisco Beltrão). É a maior cheia desde o início da construção da hidrelétrica em 1995 e uma das maiores das últimas décadas.
A vazão superou 16 mil metros cúbicos por segundo nas comportas da barragem. Há alagamentos em vários pontos das margens, mas a Copel assegurou que não há famílias em risco, pois a maioria já foi transferida para reassentamentos. A concretagem está suspensa e a ensecadeira do canal de fuga das águas - barragem de segurança feita com pedras, que serve para proteger a principal enquanto nela se executam obras - foi destruída.
Parte dos cerca de três mil operários está temporariamente parada. Mas segundo o engenheiro Walmor Eggert, diretor da Copel em Caxias, não haverá comprometimento do cronograma porque as empreiteiras haviam conseguido adiantar as obras. A primeira das turbinas de Salto Caxias deve operar em dezembro.
FronteiraAs chuvas cessaram ontem na região de fronteira e as 3 mil pessoas que estavam desabrigadas em Ciudad del Este, no Paraguai, começaram a voltar para casa, apesar do nível do Rio Acaray ainda estar bem acima do normal.
EmergênciaO prefeito de Campina do Simão (60 km ao norte de Guarapuava), Miro Lazaretti (sem partido) decretou estado de emergência anteontem no município. Segundo Lazaretti, o que o levou a tomar a atitude foi o fato das fortes chuvas e enchentes terem destruído pontes, bueiros e estradas, inviabilizando por completo a malha viária.
‘‘Tivemos grandes perdas na produção agropecuária e interrupção da comunicação física entre a sede e diversas localidades’’, comentou. Ele informou que o transporte escolar também foi paralisado. Para chegar ao município, a única estrada acessível é através de Santa Maria do Oeste, mesmo assim, em meia pista. As demais estradas estão intransitáveis. A chuva cessou ontem à tarde e as equipes da prefeitura puderam avaliar melhor as condições da região. ‘‘Felizmente não temos pessoas desabrigadas’’, assegurou o prefeito.
Inácio MartinsA população de Inácio Martins (54 km ao sul de Guarapuava) ficou praticamente ilhada em função das chuvas desta semana. O acesso para Irati ficou complicado porque a empreiteira que está concluindo o asfalto de Guamirim a Inácio Martins não viabilizou um caminho alternativo.
A única estrada que ainda pode ser usada é a que leva até a localidade de Guará, ligando à BR-277, que também não tem permitido o tráfego normal devido aos atoleiros. (Colaborou Luiz Carlos Dias Júnior, Especial para a Folha)

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